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CIDADES
Terça-feira, 28 de Junho de 2011, 21h:24

SAÚDE PÚBLICA

Servidores do Adauto rechaçam OSSs

Em assembleia ontem, trabalhadores das unidades de assistência psiquiátrica anunciaram que vão propor ao governo que assumam gerência

ALECY ALVES
Da Reportagem
Os servidores do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho e demais unidades públicas estaduais de psiquiatria estão mobilizados contra a terceirização ou transferência da gestão dos serviços para uma Organização Social de Saúde (OSS). Ontem à tarde, centenas de trabalhadores se reuniram em assembleia geral na sede do hospital, no bairro Coophema, para anunciar que querem assumir a gestão do complexo Adauto Botelho (que compreende as duas unidades hospitalares e os CIAPS - Centro Integrado de Assistência Psicossocial) e discutir a proposta governamental. A assembleia foi convocada pelo Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde e Meio Ambiente de Mato Grosso (Sisma), atendendo solicitação de um grupo de servidores que há alguns meses estão debatendo mudanças de gestão. O governo do Estado, a exemplo do que propõe para os prontos-socorros de Cuiabá e Várzea Grande, Hospital Metropolitano, também em Várzea Grande, e outras unidades de saúde, quer o Adauto Botelho sendo gerido por OSS. Já os servidores garantem que podem administrar e melhorar a qualidade dos serviços por meio de um conselho gestor atuando de maneira descentralizada e autônoma dentro do que prevê a lei 1.021/2001, que rege a Política Nacional de Saúde Mental. O entendimento dos servidores é que, se o governo está disposto a repassar para uma OSS algo equivalente a três vezes o valor da tabela SUS para cada procedimento de saúde, poderia fazer o mesmo com o conselho gestor. Assim, faria as reformas necessárias mantendo os serviços sob a gestão pública. As servidoras Daniela Bezerra e Soraia Miter Simon explicaram que a nova proposta de gestão prevê a participação de trabalhadores, usuários, representantes de instituição acadêmica (UFMT) e outros. Em um documento que resume a proposta, os servidores observam que desde 2003 os CIAPS Adauto Botelho não têm autonomia de gestão. Essa dependência da “área meio” da Secretaria Estadual de Saúde (SES) em todos os procedimentos teria levado ao sucateamento das unidades. Com 394 servidores efetivos, atualmente a gestão do complexo Adauto Botelho é 75% pública. Os outros 25% são terceirizados, incluindo locação de veículos, segurança, limpeza, lavanderia, cozinha e coleta do lixo hospitalar, manutenção de equipamentos médicos. O Sindicato dos Médicos (Sindmed) divulgou nota informando que os 10 médicos que trabalham nas unidades do Adauto Botelho estão aderindo à greve da categoria deflagrada em março contra a contratação de OSS para gerir unidades públicas de saúde. No final da tarde de ontem, a assessoria de imprensa da SES informou que semana passada o secretário Pedro Henry esteve reunido com servidores do Adauto Botelho, dos quais espera receber o projeto de gestão diferenciado.

Edição EDIÇÃO 16959




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