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CIDADES
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010, 09h:38

HUJM

Serviços param com greve de técnicos

Apesar de médicos e enfermeiros não estarem paralisados, usuários não conseguem atendimento no HU. Ambulatórios estão fechados e exames, inacessíveis

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Parte dos serviços do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) está prejudicada. Ontem, servidores técnicos administrativos da unidade hospitalar iniciaram greve, o que culminou com o fechamento dos ambulatórios. Porém, usuários também afirmavam que não estavam conseguindo fazer exames ou ser atendidos por médicos, categoria que não integra o movimento grevista. “O hospital não está fechado. A greve é dos técnicos. Há equipes mantendo o Júlio Müller funcionando”, afirmou Nilson Bento, do comando de greve. O hospital conta com 550 servidores técnicos contratados pelo governo federal e 200 cedidos pelo governo do Estado. A paralisação é resultado do descontentamento da categoria com o aumento da jornada de trabalho semanal de 30 horas ininterruptas para 40 horas semanais (com intervalo de descanso e refeição). Bento explicou que o HUJM funciona de forma ininterrupta, o que faz com que servidores cumpram a jornada de 30 horas contínuas, conforme decreto nº 1.590 de 1995. No entanto, segundo ele, a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maria Lúcia Cavalli Neder, determinou, desde o mês de fevereiro deste ano, que os servidores cumpram as 40 horas, acabando com jornada de turno ininterrupto. Além disso, a categoria aponta que em vários períodos do dia, os pacientes ficam sem assistência de enfermagem ou mesmo médica, já que a jornada de 40 horas é interrompida. “Se permanecer, não tem como cumprir, falta pessoal”, disse. “Teve uma pessoa que trabalhou 82 horas na UTI no período de uma semana e o que é pior, só vai receber as 40 horas”, acrescentou. Em frente ao HUJM cartazes pediam desculpas pelos transtornos, além de apoio, e informavam aos usuários os motivos da paralisação. “A greve foi necessária para que sejam tratados com respeito e para que tenham seu atendimento garantido”, diziam. Grávida de cinco meses, Naiany Ferreira Jardim, moradora do Novo Horizonte, na Capital, tentava fazer um ecocardiograma. “Estou aguardando há quase duas horas. Só dizem que o médico vai vir, mas não chega”, disse. Situação parecida passava o pintor Euclides Custódio da Silva, morador de Poconé (80 quilômetros da Capital). “Fiz uma cirurgia e estou esperando o cirurgião. Só me falaram que os servidores estão em greve e quem ainda está no hospital está indo embora”, comentou. De acordo com Nilson Bento, ainda ontem o Sintuf deveria entrar com uma representação contra a UFMT no Ministério Público Federal (MPF), questionando a jornada de trabalho de 40 horas semanais. Já a reitora Maria Lucia Cavalli Neder informou que tentaria agendar uma reunião com o procurador da República Gustavo Nogami para discutir uma saída para o impasse. Maria Lúcia se disse surpresa com a paralisação, já que havia uma negociação em andamento e havia a possibilidade de se implantar, em caráter emergencial, a jornada de 36 horas semanais. De acordo com Maria Lúcia, as 30 horas foi uma concessão, negociada em 2007, que teve de ser revista para cumprir a determinação da Justiça que obrigou o funcionamento pleno da unidade hospitalar a despeito da Portaria 918, de 21 de setembro de 2009, do Ministério de Educação (MEC), que limitou o quantitativo de plantões, fixando este atendimento, no máximo, em 6.132 horas de plantão/mês para médicos e enfermeiros. “Sem esse quantitativo de plantão maior, tivemos que rever a concessão”, afirmou. Ela disse ainda que os técnicos são contratados para 40 horas e explicou ainda que, para atender, os médicos precisam do prontuário, que é disponibilizado pelo setor de registro.

Edição EDIÇÃO 16959




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