CIDADES
Sábado, 30 de Agosto de 2008, 13h:48
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UNHAS FEITAS
Salões podem ser fonte de infecções
DANA CAMPOS
Da Reportagem
Qual é a mulher que não gosta de ter uma unha limpa e bem cuidada? Hoje, salões de beleza buscam inovar cada vez mais e com diferentes técnicas tentam agradam a todos os gostos femininos. São unhas pintadas à francesinha, unhas postiças e também adesivadas, e que atraem da mulher mais formal até mesmo a mais moderna. Entretanto, toda a procura para manter a beleza das mãos e das unhas é vista com preocupação por infectologistas e a Vigilância Sanitária. Isso porque o manuseio de um material mal-esterilizado pode se tornar uma grande fonte de transmissão de algumas doenças causadas por microorganismos. Conforme o médico infectologista Ivens Scaff Cuiabano, se o salão não dispor de um equipamento de esterilização adequado, que permita a eliminação dos microorganismos presente nos materiais de uso das manicures e pedicures alicates, tesourinhas e espátulas , esses pequenos seres podem disseminar doenças virais e transmitidas por bactérias. De acordo com ele, as pessoas estão suscetíveis ao risco de contrair doenças como hepatite B, hepatite C, micoses superficiais e até mesmo a Aids. Conforme Cuiabano, a principal delas é a hepatite B. Segundo ele, o vírus afeta o tecido hepático de maneira definitiva. Apesar disso, de cada dez pessoas, nove conseguem eliminar o vírus, ou seja, 90% da população, destaca. De acordo com o médico, a vacina e o tratamento da doença estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme ele, o período de tratamento pode durar cerca de seis meses. Ele ainda destaca que em casos de rejeição, o paciente é submetido a exames complementares sorologia , e até mesmo uma biópsia (recolhimento de uma amostra de células ou tecidos para estudo). Para aqueles profissionais que atuam em áreas de risco, como os da saúde, são ofertados a vacina contra a doença. Ao contrário da hepatite B, a C não possui vacina e o tratamento é baseado em um imuno-estimulador (interferon) que, segundo o médico, é um mecanismo que auxilia no sistema imunológico do paciente. Para Cuiabano, o que pode ser mais comuns nos salões de beleza é a proliferação de micoses superficiais, também conhecidas como fungos. Segundo ele, essas doenças são de menos gravidade e também possuem tratamento adequado. No caso da Aids, explica Cuiabano, nunca foi comprovada a transmissão da doença nesses ambientes de beleza. Para haver a transmissão, depende muito de quanto o fluído em questão é rico em vírus. Por exemplo, o esperma e o sangue são rico, já a saliva é pobre. Entretanto, o médico reafirma os cuidados que os profissionais da beleza devem manter. De acordo com a coordenadora técnica pedagógica do eixo Saúde, Meio Ambiente e Segurança do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Jaqueline Aparecida de Amaral, as estudantes do curso técnico profissionalizante de manicure e pedicure aprendem, por meio da disciplina Higiene e Segurança, as práticas de limpeza e esterilização dos equipamentos de trabalho. Conforme ela, as alunas aprendem noções de microbiologia, transmissão de doenças, identificação de patologias e principalmente a importância da esterilização de equipamentos por autoclave. A gente tem orientado para o desuso da estufa, disse Jaqueline, explicando que hoje, todos os cursos orientam o uso da autoclave, devido ao poder de eficiência.