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CIDADES
Quarta-feira, 21 de Julho de 2010, 21h:21

JAGUAR

Safári de onças em MT

PF faz operação em 3 Estados para prender caçadores de animais silvestres e captura oito somente em Sinop

CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
A Polícia Federal prendeu oito pessoas em Sinop (500 quilômetros de Cuiabá) por caça clandestina e predatória de onças durante a Operação Jaguar, deflagrada ontem em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A ação visou desmantelar um grupo que atuava no abate clandestino de animais de grande porte, principalmente onças-pintadas, pardas e pretas, no Pantanal e outras regiões. Dentre os presos, quarto são argentinos, um é paraguaio e três são brasileiros – um deles é policial militar em Mato Grosso. A Polícia Federal começou as investigações no ano passado em Corumbá (MS), em parceria com o Ibama. Os policiais obtiveram relatos do encontro de carcaças de onças em algumas fazendas na região do Pantanal sul-mato-grossense e do sumiço de felinos que estavam sendo monitorados pelo Ibama. Depois, foi constatada a presença de pessoas transportando vários cachorros típicos de caça para grandes felinos. Elas estavam acompanhadas do filho do mais famoso caçador de onça do país, conforme a Polícia Federal, que não divulgou o nome dos envolvidos. As investigações revelaram que o caçador de onça e o filho dele participavam de um programa Pró-carnívoros, promovido pelo Ibama, para disfarçar a caça clandestina e predatória de animais na região cometidas por eles. No programa, as onças são capturadas para encoleiramento. Segundo a Polícia Federal, os suspeitos iam para o Pantanal com aviões particulares e pousavam em fazendas da região com armas de caça. Os cães eram usados nas fazendas, cedidos pelo “caçador de onça” ou por alguns fazendeiros, com interesse em proteger o gado dos felinos. Os suspeitos, depois de tirar foto dos animais mortos, destruíam as carcaças. De acordo com a PF, há evidências de que alguns “troféus” são levados para o exterior. Uma pessoa suspeita de ligação com o bando, e que mora em Curitiba (PR), tem conhecimento sobre como empalhar animais. A PF não descarta a possibilidade de o grupo participar de safáris na África, introduzindo no Brasil peles e partes de animais caçados naquele continente, inclusive no tráfico de marfim, cuja comercialização é proibida internacionalmente. Normalmente as caçadas eram organizadas por um caçador profissional identificado como E. A. S., e que mora em Cascavel(PR). Nos safáris, os clientes pagavam por animal abatido, especificamente onça-pintada, parda e preta. Por um valor maior, tinham o direito a pele, cabeça ou a todo o animal, que era empalhado em Curitiba. A Justiça Federal expediu sete mandados de prisão temporária e 14 mandados de busca e apreensão no Paraná, em Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Os suspeitos serão indiciados pelos crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais – perseguir, caçar ou matar animais da fauna silvestre sem permissão -, formação de quadrilha e porte ilegal de arma. (Com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16959




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