O procurador da República, Mário Lúcio Avelar, se reunirá hoje em Barra do Garças (a 516 quilômetros) com representantes dos índios xavantes e da Fundação Nacional de Saúde Funasa), responsável pela saúde indígena, na tentativa de resolver o impasse que se estende desde semana passada. Os índios estão mobilizados e reivindicam melhorias nas condições precárias de atendimento prestado à população indígena. O presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena, Edmundo Dzuaiwi Omore, estima que mais de 100 índios da região tenham morrido entre janeiro e setembro deste ano por falta de atendimento médico adequado. A maioria das vítimas é crianças e idosos. Temos profissionais das áreas de Saúde, mas não temos acesso a medicação, a viaturas suficientes e a estrutura adequada em geral. Quando o índio está doente leva muito tempo para ser atendido, levado para os centros de referência, e acaba morrendo. Essa situação persiste há três anos e cada vez piora mais. Não temos nenhuma expectativa de melhoria, disse Omore. O líder indígena afirma que as etnias enfrentam também a falta de informações sobre a morte de integrantes das aldeias. Amanhã (hoje) vamos cobrar clareza na divulgação dos fatos. Quando os índios morrem, não conseguimos ter acesso nenhum aos prontuários e sequer conseguimos saber o que ocasionou a morte. O que hoje sabemos é que tem muita criança morrendo de pneumonia, falou. O coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Goiás, Edson Beiriz, que responde pelo território Xavante em Mato Grosso, também participará da reunião hoje. A reclamação deles vem de muito tempo e o índice de mortalidade indígena ali é muito alto, avaliou.