CIDADES
Domingo, 21 de Fevereiro de 2010, 01h:30
A
A
Rejeição da maioria faz com que unidades virem referência
A rejeição de grande parte das escolas transforma em referência, mesmo sem a formalização legal do serviço, aquelas que aceitam alunos deficientes, como é o caso da Escola Estadual Fenelon Müller, do bairro CPA III. O pioneirismo no atendimento de alunos especiais já envolveu essa escola em situações curiosas e inusitadas. A professora e ex-coordenadora pedagógica Terezinha do Carmo Macedo de Carvalho conta que na época em que exercia a coordenação recebeu uma professora de outra escola pública estadual, considerada modelo no ponto de vista da infra-estrutura, acompanhada de uma mãe com o filho deficiente. A professora, relata Terezinha, alegando que não poderia receber o aluno em sua escola, pegou o próprio carro e levou a mãe e o estudante para a Fenelon Müller. É, estamos trazendo eles aqui porque vocês atendem deficientes, argumentou, à época, a educadora para Terezinha. Eu perguntei a colega se ela era formada em Pedagogia, o mesmo curso que fiz, porque sendo formada e tendo disposição e amor para ensinar, também conseguiria atender o aluno na escola dela, perto da casa da criança, relembra Terezinha. Também lhe disse que a única diferença entre o que fazemos na nossa escola é que aceitamos, nos esforçamos e trabalhamos com amor, diz. Pedagoga com especialização em Coordenação Escolar, atualmente Terezinha tem dois alunos especiais em sua sala, um cadeirante e um deficiente mental. A diretora da Fenelon, Mariluce Corrêa de Moraes, professora da escola há 15 anos, acha que atualmente poderia dizer que está no Céu em termos de atendimento. Há 10 anos, quando era professora de libras (língua de sinais), atendia 10 alunos. Hoje, cada sala com um aluno surdo tem uma intérprete. A Fenelon Müller tem 500 alunos matriculados, dos quais 30 são portadores de deficiência. Lá nenhum professor tem formação específica para Educação Especial, eles atendem sustentados nas capacitações profissionais e no amor pela profissão. Há mais de 20 anos a escola começou a receber deficientes e foi se adequando de acordo com a demanda, ou seja, buscando junto ao governo o apoio necessário para atender as crianças e adolescentes especiais das famílias que a procuram. (AA)