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CIDADES
Sábado, 28 de Março de 2009, 13h:59

Professor encara com desencanto

Sob o discurso de mudar para melhor os currículos do Ensino Médio, o professor universitário Roberto Boaventura encara que a proposta do MEC subtrai do aprendizado o mínimo de conteúdo ainda pobremente transmitido. Assim, o vestibular se resumiria a um nível primário, com o objetivo de melhorar os índices educacionais do país. “Não há como trabalhar habilidade sem conteúdo. Ela não se sustenta sem ele”, defende o professor. Na prática, conforme taxa Boaventura, a mudança não passaria de um verniz de inclusão social. “O governo sabe que as pesquisas apontam a educação negativamente. Dessa maneira, como toda medida do governo Lula é eleitoreira, os números podem se inverter, mas sem resolver problema algum”, raciocina o especialista na área de Educação. As falhas de aprendizagem podem ser constatadas na sala de aula das próprias faculdades, denuncia Boaventura, pois os estudantes estão chegando lá com carências básicas como vocabulário. Em relação à aceitação da proposta, o professor está desiludido das discussões que possam ocorrer internamente, pois apregoa que este é um jogo de cartas marcadas. “A proposta tem tudo para ser aceita passivamente, num contexto em que a universidade não discute mais nada. A crítica está enterrada. As resistências são mínimas. As idéias vêm prontas do gestor, que adota um discurso impositivo”, critica. (RD)

Edição EDIÇÃO 16965




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