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CIDADES
Terça-feira, 19 de Junho de 2007, 20h:22

SEMI-ABERTO

Primeiro dia livre

O ex-contador de Arcanjo, Dondo, consegue transferência para Casa do Albergado, onde passará apenas as noites

ALECY ALVES
Da Reportagem
Depois de quatro anos e seis meses de prisão, o ex-contador da organização criminosa do “comendador” João Arcanjo Ribeiro, Luiz Alberto Dondo Gonçalves, 65 anos, recupera parcialmente a liberdade. Ele foi preso em dezembro de 2002, durante a Operação Arca de Noé, quando iniciada a derrocada da atuação do bicheiro no Estado. Condenado a 20 anos de prisão, desde ontem, Luiz Dondo passou a cumprir pena na Casa do Albergado, em um regime que corresponde ao aberto. Por causa da interdição da Penitenciária Agrícola das Palmeiras e por falta de presídio industrial, para os quais iriam os presos quando conseguem a primeira progressão de pena, o ex-contador acabou saltando uma das etapas da aplicação da sentença, o semi-aberto. Nesse novo regime, ele terá o direito de passar o dia livre, sair às 6 horas, retornar às 19h e permanecer recolhido na unidade nos finais de semana (das 13 horas do sábado até as 6 horas da segunda-feira). O advogado dele, Ueber Carvalho, disse que Dondo reassumirá seu escritório de contabilidade, hoje gerenciado pelos filhos. Ontem à tarde, na audiência em que Dondo conheceu as regras do sistema de prisão-albergue, o juiz da segunda Vara de Execuções Penais, Francisco Bráulio Vieira, explicou que ele estava indo para essa casa porque o Estado não oferece prisão industrial ou agrícola. Vieira também o alertou sobre os riscos que ele corre de voltar à prisão caso desobedeça às determinações legais, ou seja, deixe de pernoitar no albergue ou cometa outras falhas, como se ausentar da cidade sem autorização da justiça. Dondo, que na audiência teve a companhia da mulher, uma filha e um neto adolescente, ficou desapontado ao saber que não iria do fórum direto para a Casa do Albergado. “Terei de retornar à prisão?”, indagou ele. O juiz, por sua vez, explicou que pelas normas do Sistema Prisional Mato-grossense, Dondo voltaria para o Pascoal Ramos para que a Secretaria de Justiça e Segurança Público fizesse a checagem de seu nome na rede informações sobre mandados de prisão. Se ele não tivesse sendo procurado por outras condenações, seria imediatamente levado para o albergue judicial. Ueber Carvalho acredita que dentro de 45 dias seu cliente estará em liberdade condicional. Nesse caso, não precisaria dormir no albergue, apenas comparecer uma vez por mês à Vara de Execuções Penais. Denunciado em quatro ações, o ex-contador de Arcanjo pegou inicialmente 40 anos de prisão por crime de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal. Através de recursos impetrados, as condenações caíram para 20 anos. Carvalho pediu à Justiça a substituição da pena de quatro anos e seis meses de prisão por crime de sonegação fiscal por restrição de direito. Ele explicou que, nesse caso, Dondo seria beneficiado pela decisão do Tribunal Regional Federal (TRF1), que semana passada transformou em pena alternativa, com prestação de serviços à sociedade, a condenação de um dos filhos dele, David Bertoldi.

Edição EDIÇÃO 16959




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