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CIDADES
Quarta-feira, 03 de Março de 2010, 21h:45

ASSALTO À BANCO

Polícia fecha cerco contra assaltantes

Numa ação ‘cinematográfica”, um grupo de 10 criminosos levou mais de R$ 500 mil da agência do Banco do Brasil em Aripuanã

RENÉ DIOZ
Da Reportagem
Um avião, um helicóptero, viaturas e mais de 50 policiais tentarão hoje fechar o cerco contra um grupo de 10 criminosos que promoveram mais um assalto a banco em Mato Grosso, desta vez em Aripuanã (a 1.002 km de Cuiabá). Após levarem mais de R$ 500 mil (segundo estimativas), liberarem seis reféns e baterem em retirada a bordo de caminhonetes e um carro, os assaltantes se embrenharam na tarde de ontem numa região de mata fechada a aproximadamente 80 km da cidade. Nenhum foi capturado ainda. O assalto ocorreu por volta das 8h30 da manhã de ontem e o alvo escolhido foi a agência do Banco do Brasil (BB), no centro de Aripuanã. Entre clientes e funcionários, por volta de 100 pessoas estavam presentes na agência, que estava repleta de dinheiro: era dia de pagamento tanto ao funcionalismo público estadual quanto ao municipal, e a construtora Odebrecht – que toca a obra de uma usina hidrelétrica na região – também pagava os trabalhadores; além disso, a agência havia recebido uma carga de valores na véspera. O bando, encapuzado, chegou em uma caminhonete e um Vectra cinza. Ao adentrarem no banco, logo começaram a disparar com armamento pesado nos vidros da agência, nos carros e estabelecimentos em frente a fim de assustar a população. Após render os presentes, o bando formou com eles um escudo humano que impedia qualquer disparo vindo da polícia. Felizmente, ninguém foi atingido, segundo a Polícia Militar (PM). Após recolherem malotes de dinheiro, os bandidos tomaram seis reféns – dentre eles o gerente da agência, quatro funcionários e um cliente, cuja caminhonete L200 azul acabou sendo aproveitada para a fuga. O grupo se dirigiu à região do distrito Conselvan (com cerca de 5 mil pessoas), próximo a uma terra indígena. Numa das pontes de madeira da estrada, o grupo abandonou e incendiou o Vectra utilizado para a fuga e liberou quatro reféns. Depois, prosseguiram dentro da reserva, onde liberaram os demais reféns, abandonaram os veículos e partiram para a mata cerrada, conforme relato do policial tenente Sebastião Taques, que integra as operações de busca. De tarde, as chuvas transformaram-se em mais um fator de dificuldade para que a polícia fechasse o cerco contra os bandidos, mesmo tendo à disposição o sobrevôo de um avião e um helicóptero. Aliás, uma das preocupações da polícia é justamente o poder de fogo dos criminosos – foi encontrada no banco munição de fuzil suficiente para derrubar aeronaves, material de que nem a polícia local dispõe. Já por terra, a mata é um labirinto para os policiais. “Só quem conhece muito bem a região para andar ali”, observa o comandante regional adjunto da PM, capitão Cristiano Cássio de Vasconcelos. Hoje, além de insistir na perseguição, a polícia deve investigar se os criminosos estão recebendo apoio de algum fazendeiro ou dono de propriedade da região para onde fugiram. É descartada a hipótese de apoio por parte dos indígenas dos arredores. EXPERIÊNCIA – Segundo acredita Vasconcelos, os integrantes do bando devem ter experiência com assaltos a banco no Estado, uma vez que demonstraram utilizar o mesmo modus operandi utilizado por assaltantes em outras ocasiões – os chamados assaltos “cinematográficos”, que impressionam pelo método dos grupos. Desta vez, a polícia estava informada da possibilidade de uma nova ação, em Juína ou Aripuanã, cujo último assalto ocorreu em 2007. Tanto que o policiamento nas agências vem sendo reforçado nos dias de pagamento, mas, como admite Vasconcelos, “eles agem em cima da nossa falha, do nosso vacilo”. Já sobre o boato de que os bandidos pretendiam fugir a bordo de um avião, o comandante diz que tal hipótese foi descartada.

Edição EDIÇÃO 16959




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