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CIDADES
Sábado, 14 de Março de 2009, 13h:19

VIVÊNCIA PRECOCE

Pais na adolescência

Em Mato Grosso, como em outros estados, não é raro encontrar exemplos de jovens de 17 anos que já são pais ou cujos filhos estão por nascer

ALECY ALVES
Da Reportagem
Em Mato Grosso, a exemplo do país, não há dados disponíveis sobre paternidade na adolescência. Por causa disso, não se tem números oficiais e talvez notícia de ocorrências como a do menino inglês de 13 anos, Alfie Patten, que recentemente tornou-se pai de uma menina batizada com o nome Maisie. Contudo, é comum encontrar exemplos de jovens de 17 anos que já são pais ou o bebê está para nascer, e de rapazes que aos 18, 19 e 20 anos já têm dois ou mais filhos. Quando engravidou a namorada Chatelle Steadman, de 15 anos, Alfie teria apenas 12 anos, uma informação que ao vir a público chocou a sociedade britânica e chamou a atenção do mundo. Aqui, muito longe do Reino Unido, as buscas por pais adolescentes levaram a seguinte conclusão dessa reportagem: ser pai na adolescência independe da classe social. A gravidez e a paternidade na adolescência podem ser mais comuns nas classes de poder aquisitivo menor, mas também está muito presente nas famílias das classes média e alta. No bairro Novo Colorado, periferia de Cuiabá, bastou ir ao centro de saúde e ao Centro de Assistência Social Básica (CASB), órgão público municipal onde é servido um sopão e oferecidos cursos semiprofissionalizantes, para ter acesso a uma lista de pais adolescentes. Nesse bairro mora o desempregado Edílson Ferreira da Silva, de 19 anos, pai das pequenas Larissa, de dois anos, e Naiara, de seis meses. Ele e a companheira Maisa Aparecida da Silva, uma adolescente de apenas 16 anos, moram com as filhas num barraco de madeira alugado por R$ 80 mensais. Enfrentando uma vida difícil, marcada por privações de necessidades básicas, mas com uma dedicação admirável às filhas, os adolescentes compartilham as responsabilidade de formar uma família precocemente e sem planejamento. Edílson, que parou de estudar quando a primeira filha nasceu e este ano voltou à sala de aula, no primeiro ano do segundo grau, conta que não imaginava que ser pai e criar os filhos seria tão complexo. Há um mês ele mudou dos fundos da casa da mãe porque o imóvel não oferecia condições de segurança às filhas. Agora, como é pedreiro, está tentando construir dois cômodos de alvenaria para que possa fugir do aluguel. Vivendo da ajuda da mãe, a doméstica Zilda Antônia Ferreira da Silva, Edílson acha que o mais difícil da paternidade é o compromisso de ter que sustentar os filhos e muitas vezes não ter de onde tirar o dinheiro do necessário. “O pior pedaço dessa história é quando perco o emprego e não encontro outro logo, como está acontecendo agora”, diz. Edílson contou que tinha um sonho de servir o exército e até seguir a carreira militar, mas foi dispensado do quartel quando contou que a namorada estava grávida. Isso aconteceu, segundo ele, depois já tinha sido aprovado no teste de seleção. Depois desse episódio ele foi morar com a namorada, que tinha 13 anos, e começou a “fazer bico” como servente de pedreiro, pedreiro, pintor e outras funções que não exigem formação.

Edição EDIÇÃO 16965




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