CIDADES
Sábado, 07 de Abril de 2012, 14h:22
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MEIO AMBIENTE
Os córregos que viraram esgoto
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Os vinte e seis córregos que cortam os bairros de Cuiabá expõem claramente a situação da falta de saneamento básico na Capital mato-grossense. Os córregos enfrentam sérios problemas de poluição e têm como principal causa o lançamento in natura do esgoto produzido pela população. Aos 293 anos e com mais de 500 mil habitantes (IBGE 2010), Cuiabá tem apenas 30% dos dejetos domésticos tratados. Para quem mora nas imediações desses cursos dágua e sofre com o mau cheiro e o constrangimento de viver ao lado de um esgoto a céu aberto, a solução seria canalizar e cobrir, assim como foi feito com o Córrego da Prainha na década de 70 do século passado. E se tal situação caótica revela a falta de gestão do poder público e de atuação da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap), a legislação ambiental tem dado uma mãozinha para castigar ainda mais essas pessoas. Com o objetivo de preservar os córregos objetivo não cumprido, já que eles estão completamente sujos a atual legislação proíbe qualquer intervenção, exceto a limpeza, no leito desses canais. Não pode canalizar, fechar ou colocar máquina. Só pode limpeza e manual, informou recentemente o coordenador da Defesa Civil de Cuiabá, José Pedro Zanetti. O Código de Postura do município estabelece no mínimo 30 metros de preservação para os cursos dágua com menos 10 metros de largura. A Secretaria Extraordinária da Copa de 2014 (Secopa), no entanto, obteve licença ambiental para canalizar trecho do Barbado, entre a Fernando Correa e a UFMT. Os demais córregos seguem sem solução. Enquanto o poder público não dá sinais nem de que vá tratar o esgoto e nem de que deixará tapar os córregos, os transtornos são imensuráveis para quem vive nas proximidades desses canais. A fisioterapeuta Sarah Fávero Martins, 24 anos, que mora no Residencial Ipiranga II, entre os córregos Mané Pinto e o Engole Cobra, na região do Porto, diz que o mau cheiro que exala adentra as moradias e incomoda os moradores. É insuportável, principalmente quando o dia está muito quente. Eu até costumo ficar de janela fechada para tentar evitar o odor, diz ela. O grande problema dos córregos e dos Rios Cuiabá e Coxipó é o esgoto, mas esses cursos dágua sofrem com o descarte do lixo doméstico, animais mortos e objetos como garrafas, pneus, carcaças de geladeira, fogão, entre tantos outros. Algumas soluções, diz a Sanecap, estão previstas, mas os recursos dependem do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC II), do Governo Federal, mas que segue emperrado.