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CIDADES
Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011, 21h:40

MT-361

Obra pública em margem alagadiça

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Quem hoje passa pela cidade de Barão de Melgaço (a 133 Km de Cuiabá) pode tanto sentir falta de estrutura para o turismo local, cujo potencial está nas belas paisagens pantaneiras, quanto estranhar uma das iniciativas tomadas recentemente pelo poder público para reverter o quadro. Trata-se da obra em andamento de um Centro de Atendimento ao Turista (CAT), prédio de um pavimento projetado próximo a uma baía e quase em cima da pista da MT-361, que sairá por mais de R$ 254 mil, sem previsão de entrega nem de liberação do licenciamento ambiental. Anunciada pela placa à entrada da cidade de Barão de Melgaço, a obra é fruto de recursos do governo estadual e do município. Da estrutura, foram erguidas algumas paredes e colunas tão próximas à pista da rodovia que provocam o questionamento sobre onde os turistas estacionarão caso precisem do serviço no CAT quando ele estiver funcionando. Fica difícil não pensar em fila dupla na estrada. Também salta aos olhos o valor anunciado da construção de extensão modesta, tendo em vista que o projeto é de apenas um pavimento e que abrigará basicamente equipamentos de informática. A informação é do próprio secretário municipal de Turismo de Barão, Dion Jacob. Ele diz que o CAT servirá para coletar informações sobre a chegada de visitantes na cidade pantaneira a fim de construir uma agenda de eventos turísticos. Além disso, o CAT (haverá uma outra unidade no centro da cidade) fornecerá informações, apoio médico, ajudará no controle da pesca em períodos proibitivos e servirá de base para um barco que, da baía, sairá recolhendo lixo em pesqueiros. O secretário explica que as obras começaram em dezembro e, por conta das chuvas (que caíram no ano passado e voltaram a cair agora), não sabe se o prazo de 90 dias posto na placa da obra será suficiente para entregar a estrutura à população. Sobre a proximidade com uma área de alagamento, Jacob diz que isto até chegou a atrapalhar o licenciamento ambiental da área, mas está sendo superado. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente desconhece qualquer processo de licenciamento ali. Já sobre o valor total da obra e a estranha proximidade com a rodovia, Jacob diz que há de se ver “o projeto como um todo. Não vai ser uma casinha. Tem alguns diferenciais nela” e que falta apenas um acesso para carros por meio de uma ampliação da pista a cerca de 60 metros. O orçamento da obra abrange iluminação pública e equipamentos, não contempla esta parte, segundo ele, mas o Estado teria assegurado viabilizar esta “alça” viária. A Secretaria Estadual de Cidades informou que não há até o momento qualquer obra de ampliação prevista para a estrada.

Edição EDIÇÃO 16959




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