Quem hoje passa pela cidade de Barão de Melgaço (a 133 Km de Cuiabá) pode tanto sentir falta de estrutura para o turismo local, cujo potencial está nas belas paisagens pantaneiras, quanto estranhar uma das iniciativas tomadas recentemente pelo poder público para reverter o quadro. Trata-se da obra em andamento de um Centro de Atendimento ao Turista (CAT), prédio de um pavimento projetado próximo a uma baía e quase em cima da pista da MT-361, que sairá por mais de R$ 254 mil, sem previsão de entrega nem de liberação do licenciamento ambiental. Anunciada pela placa à entrada da cidade de Barão de Melgaço, a obra é fruto de recursos do governo estadual e do município. Da estrutura, foram erguidas algumas paredes e colunas tão próximas à pista da rodovia que provocam o questionamento sobre onde os turistas estacionarão caso precisem do serviço no CAT quando ele estiver funcionando. Fica difícil não pensar em fila dupla na estrada. Também salta aos olhos o valor anunciado da construção de extensão modesta, tendo em vista que o projeto é de apenas um pavimento e que abrigará basicamente equipamentos de informática. A informação é do próprio secretário municipal de Turismo de Barão, Dion Jacob. Ele diz que o CAT servirá para coletar informações sobre a chegada de visitantes na cidade pantaneira a fim de construir uma agenda de eventos turísticos. Além disso, o CAT (haverá uma outra unidade no centro da cidade) fornecerá informações, apoio médico, ajudará no controle da pesca em períodos proibitivos e servirá de base para um barco que, da baía, sairá recolhendo lixo em pesqueiros. O secretário explica que as obras começaram em dezembro e, por conta das chuvas (que caíram no ano passado e voltaram a cair agora), não sabe se o prazo de 90 dias posto na placa da obra será suficiente para entregar a estrutura à população. Sobre a proximidade com uma área de alagamento, Jacob diz que isto até chegou a atrapalhar o licenciamento ambiental da área, mas está sendo superado. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente desconhece qualquer processo de licenciamento ali. Já sobre o valor total da obra e a estranha proximidade com a rodovia, Jacob diz que há de se ver o projeto como um todo. Não vai ser uma casinha. Tem alguns diferenciais nela e que falta apenas um acesso para carros por meio de uma ampliação da pista a cerca de 60 metros. O orçamento da obra abrange iluminação pública e equipamentos, não contempla esta parte, segundo ele, mas o Estado teria assegurado viabilizar esta alça viária. A Secretaria Estadual de Cidades informou que não há até o momento qualquer obra de ampliação prevista para a estrada.