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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 11 de Junho de 2011, 13h:51

CORRESPONDÊNCIA

No Belvedere, entrega apenas mediante ação judicial de moradores

Foi preciso que condomínio entrasse na Justiça para obrigar que Corrreios passasse a levar cartas a cada um dos 650 imóveis do local

ALECY ALVES
Da Reportagem
Recorrer à Justiça para receber correspondências em casa. Essa foi a saída encontrada pelos moradores do residencial Belvedere, um condomínio classe de média alta com quase mil lotes onde atualmente moram 650 famílias. Eles estavam privados dos serviços da Empresa de Correios e Telégrafos. Há quase três anos documentos postais como cartas, faturas, carnês, boletos bancários, cartões e outros são entregues de casa em casa no residencial por conta de uma liminar concedida pela Justiça mato-grossense. A exemplo dos prédios, os carteiros deixavam as postagens na portaria do residencial. Entretanto, os moradores entenderam que deveriam dispor do serviço domiciliar, que foram pleiteá-lo judicialmente após recusa da empresa de Correios. O síndico Ercio Arruda destaca que para atender um bairro como o Belvedere, com quase mil lotes e mais de 30 ruas, teriam de montar uma mini-empresa de Correios. Se o residencial dispõe de nome e números de casas nas vias, avalia Arruda, não havia razões para não dispor dos serviços da estatal. “Dispor dos serviços postados em casa é um direito de todos”, assinala o síndico, lembrando que há alguns anos isso não vem acontecendo. O problema, avalia Arruda, é que a empresa de Correios abarcou tarefas que superam sua capacidade operacional, além de não ter acompanhado o crescimento das cidades. “Com tantas outras coisas para fazer, a gente costuma dizer que os Correios entregam até cartas”, brinca. A população, diz, não pode ser penalizada por essa sobrecarga, falta de funcionários e outros problemas. A exigência de lei criando ou legalizando um bairro, como acontece hoje, também é considerada descabida por ele. A consolidação de um bairro pela abertura de ruas, chegada de serviços de água, energia elétrica, asfalto e escola seria mais que suficientes para os Correios também começar a atender os moradores. Semana passada, uma reportagem publicada pelo Diário trouxe reclamações de moradores de uma série de bairros de diversas regiões de Cuiabá e Várzea Grande sobre atraso no recebimento de contas que chegam pelos Correios. Cidadãos postaram comentários na versão digital da matéria apontando problemas similares em outros bairros. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Francisco da Silva Adão, denuncia que os carteiros e outros servidores da empresa estão trabalhando sobre pressão, sobrecarregados, para tentar atender a demanda na distribuição e entregas. Conforme Adão, cerca de 15% dos trabalhadores estão afastados das funções por conta de doenças decorrentes da carga excessiva de trabalho. As mais comuns são estresse e desvio de coluna e gastrite nervosa. Mato Grosso, informa o sindicalista, tem apenas 600 carteiros, incluindo contratados temporários por meios de empresas terceirizadas. De imediato, precisaria de pelos menos mais 250 para atender as necessidades do Estado. Com os terceirizados, que seria menos de 100, Francisco Adão disse que tem a questão do tempo de permanência, que não poderia exceder a 90 dias, para não criar vínculo empregatício. Assim, quando o profissional começa a aprender as tarefas, conhecer a região onde vai trabalhar, ocorre a mudança de carteiro. Francisco Adão avalia que a população tem razões de sobra para reclamar dos serviços. Além da saída de funcionário com um programa recente de demissão voluntária, há três anos havia concurso público. As 90 vagas abertas no último, realizado ano passado, são insuficientes. Quem pensa que a situação é grave pode se preparar para uma piora, segundo o sindicalista. Ele acha que os aprovados no concurso só devem começar a trabalhar em setembro. Para reclamar os moradores podem ligar para 0800-725-0100.

Edição EDIÇÃO 16964




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