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CIDADES
Quinta-feira, 02 de Junho de 2011, 21h:14

ATROPELAMENTO

Motorista que atingiu garoto deve depor

Maioria das testemunhas disse que Sandra Tomaz parecia estar embriagada no momento em que seu carro avançou contra a casa onde estava Marcelo Silva

ALECY ALVES
Da Reportagem
Deve prestar depoimento hoje à tarde a motorista Sandra Giselli Tomaz, de 34 anos, que atropelou o estudante Marcelo de Arruda Silva, 10 anos, na porta de casa, em Cáceres (230 quilômetros de Cuiabá). O acidente provocou a amputação das pernas da criança. Até ontem o delegado Rogers Elizandro Jarbas, responsável pelo inquérito, havia ouvido nove testemunhas, todas de acusação, que são vizinhos e parentes de Marcelo. O Diário levantou informações que asseguram que a maioria das pessoas ouvidas acusa a motorista de embriaguez. Além de dirigir sem habilitação, Sandra Tomaz teria consumido bebida alcoólica. Essa acusação está sendo feita desde o momento do acidente. Sandra, que fugiu do local e se apresentou à polícia no dia seguinte, nega o consumo de álcool. Sandra, conforme o delegado, pode ser enquadrada em tentativa de homicídio. Nesse caso, o crime seria desclassificado de culposo para doloso, por causa da ausência da habilitação e da omissão de socorro. O atropelamento aconteceu no final da tarde de sábado, quando o menino confeccionava uma pipa. Ele estava sentado no degrau da batente de entrada da casa onde mora com os pais quando o carro, desgovernado, o atingiu. As pernas dele, abaixo dos joelhos, foram esmagadas. O marido de Sandra, cabo Abel, da Polícia Militar Ambiental de Cáceres, também será investigado pela polícia. Contra ele pesa a acusação de alterar a cena do acidente retirando o carro antes que fosse periciado. Outros dois policiais militares, supostamente acionados por Abel para atender a ocorrência, também estão sob investigação. Eles são acusados de deixar o carro ser levado pelo caminhão-guincho antes da chegada da polícia técnica. A atitude correta seria permanecer no local garantindo a ordem, acionar o socorro à vítima e aguardar a perícia. Internado na UTI da Clínica Femina, Marcelo permanece em estado gravíssimo. Depois de passar por duas cirurgias, a de amputação de parte dos membros inferiores e de retirada de coágulo no estômago, apresenta infecção nos rins e fígado. Desde quarta-feira, com os rins paralisados, Marcelo passou a ser submetido a sessões diárias de hemodiálise. Anteontem, passou a ser acompanhado por um ortopedista. Inconformados com o que aconteceu com o filho, Dimas Matias da Silva e Lucia Edna de Arruda pedem justiça. O casal reclama que a motorista fugiu e continua sem prestar assistência. A motorista que atropelou o estudante Marcelo de Arruda Silva, 10 anos, na porta de casa, em Cáceres(230 quilômetros de Cuiabá), pode responder por tentativa de homicídio. Sandra Giselli Tomaz, de 34 anos, não tem habilitação e invadiu a casa do garoto atingindo na porta. O delegado Rogers Elizandro Jarbas, responsável pelo inquérito que investiga caso, avaliou que a falta de habilitação e a comprovação de embriaguês pode mudar a classificação do crime de culposo para doloso. Já o delegado regional, Percival Eleotério, explicou que além ausência de habilita, conforme confissão feita pela motorista no dia do acidente, o excesso de velocidade, a omissão de socorro que caracterizaria ausência de preocupação com o resultado da ocorrência, levam ao dolo eventual. De acordo com a legislação penal brasileira, a eventualidade do dolo é um tipo de crime que ocorre quando o agente, mesmo sem querer efetivamente o resultado, assume o risco o produzí-lo. Ontem o delegado Rogers Jarbas começou a ouvir chamar para depor as testemunhas do acidente, incluindo familiares e vizinhos de Marcelo. ESTADO GRAVE É gravíssimo o estado de saúde de Marcelo, que por causa do atropelamento teve as duas pernas amputadas pouco abaixo do joelho. Internado na UTI da Clínica Femina, o estudante apresenta infecção nos rins e fígado. Marcelo respira com ajuda de aparelho, teve de ser submetido a uma cirurgia para retirar coágulos de sangue no estômago e está sendo submetido a sessões de homodialise. A partir de ontem, atendendo solicitação da equipe médica na clínica, ele começou a ser acompanhado por um ortopedista. MARCADA POR TRATÉGIA A história da família do estudante é marcada por tragédias no trânsito. Há pouco mais de dois meses um primo dele, Admilson Santana de Almeida, de 53 anos, morreu atropelado na BR-070, em Cáceres, a poucos metros do portal temático de entrada da cidade conhecido como “Aranhão”. Almeida pedalava uma bicicleta quando foi atingido por um ônibus. Ele teve morte instantânea, deixando quatro filhos órfãos, inclusive uma menina de apenas 12 anos. Marcelo não chegou a conhecer o avô paterno, Aloísio Pedroso de Almeida, que morreu aos 72 anos, no dia 9 de agosto de 1997, também num atropelamento na BR-070, no perímetro urbano de Cáceres. Aloísio Almeida acabara de sair da casa de uma filha e retornava para sua casa quando um carro, modelo Fiorino, o atingiu na margem da pista. A tia de Marcelo, dona Maria José de Almeida Silva, contou que o acidente acontece no momento em que o caro tentou ultrapassar uma carreta. Além de não conhecer o avô, Marcelo, que no sábado completará 11 anos, teve pouco contato com a avó paterna, Francisca Joana de Almeida. Conforme Maria José, sua mãe, dona Francisca, entregou em depressão logo depois da morte do marido e morreu quatro anos depois.

Edição EDIÇÃO 16965




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