CIDADES
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012, 21h:35
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CHACINA DA BOLÍVIA
Morte não comprovada
Viúva quer atestado de óbito do marido que foi vítima de traficantes em San Matias no ano de 2009
STÉFANIE MEDEIROS
Da Reportagem
Com cinco filhos para sustentar, a viúva Candelária Rivero Yaruba não tem como provar que o ex-marido está morto há três anos, pois até hoje não foi emitido o atestado de óbito. Adão Teixeira foi encontrado enterrado com mais cinco brasileiros, quatro homens e uma mulher, em uma fazenda perto de San Matías, na fronteira do Brasil com a Bolívia, no dia 11 de abril de 2009. O fato ficou conhecido como Chacina da Bolívia. Até hoje o corpo do ex-marido permanece em território boliviano. Nem mesmo a identificação dos corpos foi concluída. Notificada pela Polícia Federal de Cáceres em novembro de 2009, Candelária e os filhos forneceram amostras de sangue para a realização de testes de DNA. No entanto, os resultados do exame ainda não foram divulgados e as identidades das vítimas também não foram confirmadas. Ano passado Candelária foi chamada pela Defensoria Pública de Várzea Grande. No local, foi informada que o processo aberto por ela, requerendo o atestado de óbito tardio do marido, seria arquivado por seis meses. Em setembro do ano passado, ela foi comunicada de que o processo está sendo revisto pelo juiz Jones Gattass, no Fórum de Várzea Grande. Adão Teixeira deixou quatro filhos, que hoje vivem com a mãe. Candelária contou que ele sempre trabalhou no Brasil, e contribuiu por 15 anos no INSS. Depois de que se separarem, Adão foi para a Bolívia, onde trabalhava em um açougue. A casa que deixou para a família não possui escritura, apenas um contrato de compra e venda que está no nome de solteiro de Adão. Seus filhos não têm direito à pensão, pois sua morte ainda não foi comprovada. Ele era usuário de drogas e foi morto após ser acusado de pequenos furtos e de se envolver com traficantes. Ele tinha 36 anos na época. Há a suspeita de que os outros brasileiros, que foram encontrados com Adão, sejam Domingos Ferreira de Oliveira, Oscar Palomino Gil, conhecido como Bife, Samuel Braga, o Ji Paraná, e a mulher dele Silvana Oliveira Wischery, além de um homem apelidado por Colombiano. Os seis brasileiros foram assassinados a tiros, e as execuções ocorreram em fevereiro de 2009. O crime só foi descoberto devido uma denúncia feita por outro imigrante, que também estava na mira dos assassinos e conseguiu escapar. Ele saiu do país e contatou policiais do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), que encaminhou o caso para a Polícia Federal. Hoje a viúva de Teixeira possui apenas a carteira de trabalho do ex-marido como documentação. Ela conta que uma conhecida achou o documento, que caiu dos pertences de Adão, quando ele tentava fugir dos assassinos. Eu não quero saber quem matou, não estou tentando retomar o caso todo. A única coisa que eu quero é ter a certificação da morte e, assim, poder dar um futuro para minhas crianças, disse.