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CIDADES
Sábado, 11 de Fevereiro de 2012, 12h:57

SEGURANÇA

Manual de sobrevivência (na cidade)

Quando o assunto é violência, adotar atitudes seguras pode fazer toda a diferença

ALECY ALVES
Da Reportagem
“Quem procura, acha” sempre foi uma frase dita em tom de brincadeira. Dirigida àqueles que se envolvem em alguma circunstância violenta ou vão a lugares nos quais aos olhos dos outros as situações desagradáveis seriam iminentes, parece mais atual que nunca. Quando o assunto é violência, adotar atitudes seguras tem tudo a ver com o sentido desse ditado popular. E se mesmo quem “não procura” está sofrendo ou sujeito às mais diversas formas de crimes, saber como se comportar preventivamente pode fazer a diferença. Talvez não seja necessário ir tão longe e usar o sistema do empresário Dúlvio Miranda, “Nhonhô”, como é conhecido, que colocou um arame farpado sobre o muro de sua casa e ainda escreveu no portão: “mexeu, morreu”. Ou, como um outro morador, cujo nome será mantido em sigilo, que recebeu a equipe do Diário com uma arma na cintura. Ele até tentou esconder o revólver ao perceber que não se tratava de ladrões batendo à sua porta, mas não conseguiu. Em 2011, a polícia registrou 15.847 furtos, incluindo arrombamentos de residência e comércios em Cuiabá e Várzea Grande. Nesse dado estão aqueles casos de furto por descuido, ou seja, quando a pessoa deixa algo facilmente ao alcance do ladrão. Nesse mesmo ano foram contabilizados 9.446 roubos, os chamados assaltos à mão arma, nos mais diferentes lugares e nas mais diversas situações. Carros furtados, ou seja, levados sem uso de violência, foram 726. Número similar de queixas foi apresentado por roubo de veículos com emprego de violência. Portanto, com índices tão assustadores de violência, somados à falta de policiais em número suficiente nas ruas, as atitudes seguras, por mais insignificantes que possam parecer, sempre serão válidas. O comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Várzea Grande, major James Ferreira, destaca que grande parte dos criminosos atua em áreas de seu interesse, mas também de acordo com as oportunidades que lhe são oferecidas. Isso significa dizer que, se em uma determinada moradia há mais mecanismos de segurança, as atenções dele se voltarão a outra que ofereça mais facilidades. Não deixar produtos e objetos visíveis pela janela, porta ou no quintal e roupas no varal durante a ausência dos moradores, por exemplo, pode ser um bom começo na prevenção ao furto e arrombamento. No caso dos roubos, informa o major James, está comprovado que a maioria acontece durante o dia, nas primeiras horas da manhã, quando o morador está saindo de carro de casa, e no final do dia, quando está retornando do trabalho. Ao abrir o portão, o assaltante aproveita para invadir a casa e render os moradores. Se estiver chegando, ensina o major, o aconselhável é verificar se não há alguém suspeito nas imediações. Se constatar a presença de alguém em atitude suspeita, o melhor é dar mais uma volta no bairro antes de abrir o portão. No comércio, é importante não deixar dinheiro acumulado no caixa, assim como prestar atenção se não tem ninguém observando onde os valores estão sendo guardados. Para fugir dos roubos conhecidos como “saidinha de banco”, o melhor mesmo é não fazer saques em valores que possam atrair a atenção de assaltantes. Os bandidos que agem nessa modalidade de crime costumam acompanhar de perto suas vítimas em potencial, como se fosse usuários dos serviços bancários. Conforme o comandante do 4º Batalhão, valores que podem parecer pequenos para a maioria, R$ 200, por exemplo, podem ser suficientes para atrair o interesse dos bandidos. O major James Ferreira diz que em Cuiabá e Várzea Grande não há números significativos de ocorrência de furtos e roubos durante as paradas dos motoristas nos semáforos. Mesmo assim, pondera, é necessário ficar atento. À noite, especialmente durante a madrugada, parar nos sinaleiros pode se tornar um risco, dependendo do lugar. Se perceber algo suspeito, o motorista deve avaliar se é mais seguro continuar o percurso mesmo quando o sinal estiver fechado. Comprovando que não há risco de acidente, deve prosseguir. Trafegar na pista central da via, optar pelo trajeto mais conhecido nas ruas principais e com melhor sistema de iluminação pública, também pode ajudar ou, pelo menos, dificultar a ação dos bandidos nos deslocamentos noturnos.

Edição EDIÇÃO 16959




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