CIDADES
Sábado, 19 de Maio de 2012, 13h:27
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Maioria de idosos não recebe visita
Dos 107 idosos atendidos pela Fundação Abrigo Bom Jesus, em Cuiabá, apenas 15 recebem visita de algum familiar. Há três anos na Casa dos Idosos, Paulo José Ramos afirma que não vê os filhos há pelo menos quatro anos. Com 80 anos, ele se mostra ressentido com a falta de visita daqueles que bem ou mal criou. Tive 15 filhos. Eles moram em Cuiabá e nenhum vem me visitar. Com dificuldades para falar, Paulo Ramos lembra dos tempos de juventude, de quando era piloto, e diz que gostaria de ter os filhos por perto. Sinto saudades. Mas, está tudo de mal comigo, diz. A indenização por abandono afetivo não está prevista em lei, mas o projeto 4.294/08, em tramitação na Câmara desde 2008, altera o Código Civil e o Estatuto do Idoso. A Comissão de Seguridade Social e Família já aprovou o projeto. Por meio da Agência da Câmara, a relatora na comissão, deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), apontou o lado positivo da decisão inédita do STJ. "Eu diria que esta indenização não é o ideal. O ideal é que os sentimentos, os valores humanos de cuidado, de afeto com as crianças predominem na sociedade. Mas isso não está se dando, afirmou. Porém, há o entendimento também de que famílias - pais ou mães - não têm recursos para sobreviver e não terão condições de dar uma indenização, embora a medida seja pedagógica. É justamente a questão financeira um dos principais entraves do projeto, na visão da agente administrativa da Casa dos Idosos, Maria Margareth de Paiva. Afinal, como indenizar, se é difícil até mesmo manter uma família, formada por quatro a cinco pessoas, com um ou dois salários mínimos. Além disso, ela pontua obrigações do Estado, que conforme a Constituição Federal, também tem o dever de zelar pelas crianças e pelos idosos. (JD)