Moradores do Jardim Itália conseguem na Justiça decisão para manter construção que torna espaço público restrito
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Mais um grupo de moradores do bairro Jardim Itália ganhou na Justiça o direito de fechar a rua para garantir mais segurança e tranquilidade. O juiz Hildebrando da Costa Marques concedeu liminar em mandado de segurança para que a guarita construída na rua Firenze não seja derrubada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano. Moradores da rua Carrara, também no bairro, conseguiram na Justiça o direito de fechar a via com um muro. A ideia de construir a guarita surgiu há dois anos por iniciativa dos moradores, que arcaram com todas as despesas da construção, por causa do alto número de assaltos na região. A via Firenze dá acesso às ruas Modena e Veneza. Quase 50 famílias vivem na área. Os moradores também pediram à Justiça que os três muros que foram construídos nos arredores não sejam derrubados. O mandado de segurança foi concedido na segunda-feira, mas a construção da guarita só foi retomada ontem. A obra deve ficar pronta nos próximos dias. A construção estava parada desde o dia 27 de julho por proibição da Coordenação de Fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que considerou que a obra não poderia ser feita em uma via pública e que o acesso deve ser permitido a todos. Na ocasião, um morador foi notificado. A fisioterapeuta Rosilene Ferreira, que mora há 10 anos no bairro, disse que ela e os vizinhos não conseguiam se sentir seguros por causa da violência crescente no Jardim Itália. O matagal perto da casa de Rosilene também gerava muita insegurança para as famílias. Nem o município e nem o Estado conseguiram nos oferecer segurança. Não dava para continuar daquele jeito, disse. Ela contou ainda que dois vizinhos tiveram as casas assaltadas e os bandidos chegaram a fazer reféns. Isso porque em uma das residências havia criança. A gente precisou agir para que casos como esses parassem de acontecer, acrescentou. A primeira providência para coibir os assaltos foi a construção de um muro no final das ruas Modena e Âncora, cuja obra custou em torno de R$ 40 mil, de acordo com Rosilene. Qualquer um podia ter acesso às nossas ruas por meio desse mato. Tivemos que impedir o acesso por meio do muro, explicou a fisioterapeuta. Isso aconteceu há dois anos. A providência seguinte foi contratar um guarda de rua, mas não deu certo. Mesmo com a presença do profissional, os assaltos ainda aconteciam. Os moradores decidiram então controlar o acesso à rua Firenze. Uma empresa de segurança foi contratada há cerca de dois anos e, desde então, toda pessoa que chega à via precisa se identificar para o segurança que fica no local. Os custos da segurança são divididos entre os moradores. As 46 famílias que vivem na região pagam R$ 140 por mês para manter o controle do acesso. A reportagem tentou entrar em contato com o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Archimedes Pereira Lima Neto, para saber se ele havia sido notificado da decisão, mas ele não atendeu às ligações.