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CIDADES
Quarta-feira, 25 de Março de 2009, 20h:54

JACIARA

Funcionários bloqueiam BR pela terceira vez

Trabalhadores tentam sensibilizar Justiça para liberar recuperação

RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
Funcionários das Usinas Jaciara e Pantanal, do município de Jaciara (a 144 quilômetros de Cuiabá), mais uma vez bloquearam a rodovia BR-364 em protesto pelo atraso no pagamento de salários. Esta é a terceira manifestação no ano e as conseqüências foram os costumeiros congestionamentos na pista. Organizador do protesto, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jaciara (STR), Francisco Canindé da Silva, o Chicão, está sendo procurado pela polícia. Ele cogita um novo bloqueio na manhã de hoje. Com início às 7h30, o bloqueio se estendeu até as 14h. Até mesmo uma viatura da Polícia Militar foi impedida de passar. Os trabalhadores fecharam não só o trecho em frente à usina, mas também o acesso ao município vizinho de Dom Aquino (166 km de Cuiabá). O acesso principal a Cuiabá, via BR, também ficou comprometido. Com isso, motoristas tinham que recorrer a um desvio, passando por Poxoréo. Segundo o comandante da PM em Jaciara, tenente-coronel Pery Taborelli, Chicão deve ser preso por incitação a bloqueios em rodovias federais e desacato à autoridade, por ter discutido com os policiais que tentavam passar pela barreira. Taborelli diz que o protesto reuniu apenas cerca de 200 trabalhadores, ao contrário do sindicalista, que atesta que 700 se aglomeraram no local. Com dedicação exclusiva à usina, trabalhadores estão há três meses com os salários atrasados. Alguns até conseguem empregos em outros locais, mas não o pagamento indenizatório por suas demissões. A usina aguarda da Justiça a aprovação do plano de recuperação judicial. Enquanto isso, os trabalhadores estão parados com licença remunerada desde a segunda quinzena de fevereiro, segundo a assessoria do Grupo Naoum, que administra usinas de cana-de-açúcar em Mato Grosso e Goiás. Porém, alguns funcionários apontam que a licença não está sendo remunerada. A intenção dos funcionários com o novo protesto era sensibilizar a Justiça para a concessão de uma liminar que permita o desbloqueio da produção estocada da usina. Desbloqueada, ela poderia ser vendida, gerar caixa e, finalmente, quitar a dívida salarial. A movimentação da usina é essencialmente importante para a economia de Jaciara e região. O diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado (Sindalcool), Jorge dos Santos, explica que, de maneira geral, os salários pagos pelo setor são dos melhores no agronegócio e “não é à toa que Jaciara está preocupada com o processo de recuperação judicial“. A usina Jaciara, mais antiga que a Pantanal, opera desde 1966 e deve fechar o ano com uma produção de 1,5 milhão de toneladas de açúcar. O vendedor de secos e molhados Efigênio Batista Leão confirma o prejuízo gerado na cidade. “A usina é quem move a cidade. Desse jeito, o pessoal não paga as contas com o comércio, mas não porque não quer, mas porque não recebe”.

Edição EDIÇÃO 16964




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