CIDADES
Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008, 20h:26
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SUSTO
Fogo na torre do INSS
Incêndio, ocorrido no horário do almoço, destruiu 11° andar do edifício, mas não fez nenhuma vítima
De diversos pontos da cidade, era possível ver a fumaça negra do incêndio num dos mais antigos prédios da cidade. A torre-sede do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Cuiabá, com 17 andares, por pouco não se tornou um cenário trágico, graças a sua providencial escada lateral, talvez a única em prédios verticais da cidade. Fora documentos totalmente perdidos, não houve qualquer vítima ou ferido atingido pelo fogo, iniciado no 11° andar do prédio e comprometendo o piso do 12°, mas o saldo poderia ser diferente para cerca de 70 pessoas que trabalhavam no local. Apenas uma escada mecânica, com alcance de até 27 metros de altura, está à disposição do trabalho dos bombeiros em todo o Estado. Se não houvesse escada lateral no prédio do INSS, rara nas construções de Cuiabá, tanto o trabalho dos bombeiros quanto a fuga das pessoas presentes seriam comprometidos. Sendo necessário o uso da escada mecânica, segundo o capitão dos bombeiros, Eneídes Martins, a situação seria delicada. A inclinação da avenida Getúlio Vargas, justamente no trecho do INSS, impediria o trabalho dos bombeiros com a escada. Outras estratégias de combate ao fogo e evacuação seriam necessárias. Para Larissa Moreira, de 19 anos, um alívio. Cerca de duas horas de nervosismo após o início do incêndio, ela se reencontrou com sua mãe ainda aflita. Larissa tinha até falado pelo celular com a mãe, Louisemary Moreira, quando esta, funcionária do órgão, já tinha deixado o prédio do INSS, mas a qualidade da ligação e a rapidez com que falavam deixaram a conversa difícil de entender. O comentário dos colegas de trabalho sobre o incêndio só deixou Larissa mais nervosa. Sem conseguir contatar Louisemary por telefone novamente, ela teve de ir pessoalmente conferir se sua mãe estava bem. A mãe de Larissa, em contrapartida, só teve o trabalho de acalmar a filha após o susto. Ela conta que o trabalho dos bombeiros foi rápido. Com 22 anos de trabalho no órgão federal, Louisemary é funcionária da área de benefícios, no 3º andar. Para ela, o perigo deve ter sido pior mesmo para quem estava nos andares acima. Quem confirma é Eliane - sobrenome e idades não revelados -, que trabalha justamente no andar onde o fogo se iniciou. Quem primeiro reportou alguma coisa estranha aos funcionários do andar foi a copeira, que viu fumaça saindo de uma lâmpada, por volta das 13h30. Eliane, que trabalha no INSS há 24 anos, relata ainda que escutou uma explosão e que tentou desligar a energia no andar, mas foi impedida porque as paredes estavam muito quentes. O fogo destruiu totalmente o 11º andar e danificou o piso do 12º, que está sendo sustentado por escoras. Longe dessa tensão, Celina França, de 60 anos, diz que estava bem calma. A técnica de seguro social, há 28 anos no INSS, trabalha no 5º andar. Ao deixar o prédio, antes de chegarem os bombeiros, ainda houve tempo de arrumar os computadores. Tava tão calma que desliguei tudo, conta. Aliás, tão calma quanto numa outra vez. Segundo Celina, há cerca de 20 anos (o Corpo de Bombeiros sabe precisar a data), outro incêndio aconteceu no mesmo prédio e a instalação das escadas laterais se deu logo após este episódio. Segundo o diretor de serviços técnicos do Corpo de Bombeiros, coronel Sidnei Rodrigues Faria, a estrutura do prédio atende projeto de segurança contra pânico e incêndios de 1978. Para as causas, problemas como curto-circuito no sistema elétrico são cogitados. Uma perícia da Polícia Federal deve avaliar se houve causas criminais. Um laudo da Polícia Técnica (Politec) fica pronto em até 30 dias. O coronel Carlos Alexandre Rodrigues, que comandou a operação dos bombeiros, afirma que pode ser necessária a interdição do edifício.