CIDADES
Sábado, 11 de Maio de 2013, 13h:37
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Ex-cantora garante a segurança
A técnica em Segurança do Trabalho, Neila Peixoto Ferreira Aguiar, 36 anos, e a técnica em Edificações, Leonice Nunes de Oliveira, 39 anos, são mães operárias que trabalham no mesmo canteiro de obras e têm em comum o número de filhos, dois, cada. As coincidências, porém, param por aí. Neila, cantora desde a adolescência, abriu mão da profissão pelo convívio com a família. Mas com a música correndo em suas veias, como ela própria define, ninguém mais se surpreende quando a encontra cantando enquanto monitora os 43 homens que estão sob sua vigilância. No canteiro do VLT da frente do shopping Pantanal(avenida Rubens de Mendonça, do CPA), a tarefa de Neila é semelhante a de uma mãe. Ela cobra dos operários o uso dos equipamentos de segurança e os orienta por meio de conversa ou palestras. Filha de pai músico (Vivaldo Pires Ferreira, já falecido, mas conhecido em Mato Grosso do Sul), Neila viveu da música até 8 anos atrás. Ela cantava em bares, boates e casas de show. Quando ficou grávida, solteira, aos 18 anos, atuava na profissão e assim permaneceu até se casar e planejar o segundo filho. Neila diz que além da instabilidade da profissão, não tinha tempo de ficar com a família. Como cantava à noite, durante o dia estava cansada e com sono, sem disposição para cuidar e brincar com a filha Naiane, hoje com 18 anos. Foi aí que decidiu buscar outras profissões. Durante cinco anos atuou como atendente de farmácia, atividade que conciliava com o curso de Técnica em Segurança do Trabalho. Quando se formou já tinha o segundo filho, Samuel, hoje com 8 anos. A chegada da neta, Yasmin, de dois anos, filha de Naiane, surpreendeu a família. Fui avó aos 24 anos, conta ela. Há um ano na nova profissão, Neila garante que está feliz. Estou me esforçando para ser uma boa mãe, abandonei a música por eles, fiz opção pela minha família e não me arrependo, acrescenta. Neila apenas deixou de cantar profissional. Hoje, a lacuna deixada pelo fim da carreira artística é preenchida com as apresentações na igreja que frequenta, a Santa Rita de Cássia, do Jardim Santa Laura, e outras comunidades religiosas em Cuiabá. (AA)