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CIDADES
Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010, 21h:13

CAPTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO

ETA Tijucal vive sucessão de defeitos

A Estação de Tratamento de Água Tijucal (ETA Tijucal) foi construída para ser a solução do problema da falta de água em Cuiabá. Mas essa solução veio pela metade. A ETA é nova, mas o sistema de captação de água bruta é antigo. Essa desigualdade provocou três interrupções no fornecimento do líquido em menos de uma semana, sem contar as outras suspensões no abastecimento ocorridas em outras ocasiões, e colocou em xeque a real capacidade da estação em captar, tratar e fornecer água para mais de 60 mil pessoas em 23 bairros de Cuiabá. Desde que foi inaugurada, em março, a ETA Tijucal nunca conseguiu atingir máxima capacidade de funcionamento, de tratamento de 500 litros de água por segundo. “A capacidade atual é de 300 litros por segundo”, afirmou o diretor-técnico da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap), empresa que opera a estação, Jacirio Maria Roque. Para o diretor, a única forma de resolver os problemas da ETA Tijucal é um novo sistema de captação de água bruta. Antes da nova ETA, ele explicou, as bombas de captação eram menores e a quantidade de água e de sujeira que ia para a estação era menor. “Para a nova ETA, o bombeamento é muito maior, aumentando a quantidade tanto de água e, consequentemente, de sujeira”, afirmou Roque. Impurezas como folhas e pedaços de madeira entram facilmente na bomba que faz a sucção da água, obstruindo o canal. Há poucas semanas, a ETA Tijucal parou por causa de um entupimento na captação de água causado pelo lixo acumulado no rio Coxipó. Para solucionar o problema de forma paliativa, Roque afirmou que serão colocadas grades nas bombas atuais. A previsão é que até 15 de janeiro o trabalho esteja pronto. No entanto, técnicos ouvidos pela reportagem relataram outro problema na ETA Tijucal. Uma das etapas do tratamento, a floculação – quando as partículas sólidas da água se juntam, formando flocos maiores – está temporariamente interrompida. O equipamento que realiza o processo, chamado floculador – uma espécie de tanque com várias divisórias - passa por manutenção. A falha não foi percebida antes por um motivo simples. Na época da seca, a água que vai para a estação de tratamento não precisa passar pelo método, pois está “limpa”. No entanto, quando começou a temporada de chuva, o líquido captado pela ETA estava com mais impurezas – areia e terra, em especial, - o que fez com que o floculador fosse utilizado. “Nessa etapa os funcionários notaram que a água, ao passar por essa etapa do tratamento, estava transbordando. Então decidiram cortar as paredes do floculador para melhorar a vazão”, disse um técnico que presta serviço à Sanecap. A medida, tardia, deve demorar a ser finalizada. As paredes são numerosas – mais de 20 – e feitas de concreto, o que dificulta mais a agilidade do reparo. “Não dá para saber quando vão terminar a manutenção. Mas com certeza será um pouco demorado”, disse o técnico. A ETA ainda apresenta mais falhas. Conforme técnicos, mesmo que o tratamento fosse feito sem problemas, a distribuição não seria completa, pois faltam adutoras para levar a água tratada do reservatório da ETA aos outros reservatórios da cidade. Um deles afirmou que a ETA foi construída com material de péssima qualidade. (CH)

Edição EDIÇÃO 16959




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