Frederico Campos foi prefeito em 1968 e em 1989 e revela como administrou Cuiabá em dois períodos distintos. DIÁRIO Como era Cuiabá em 1968? FREDERICO Cuiabá era uma cidade pacata, calma. Tinha mais ou menos 80 mil habitantes. DIÁRIO Administrá-la era complicado? FREDERICO A receita própria da prefeitura era pouca para fazer aquilo que era necessário. Não existia infra-estrutura, ou seja, não havia esgoto como até ainda tem deficiência de esgoto. De maneira que nós nos preocupávamos mais em atender o problema de conservação e limpeza das vias públicas. DIÁRIO A Educação ficava de fora? FREDERICO Não. Os primeiros prédios das escolas municipais de Cuiabá foram construídos na minha primeira administração. As escolas que existiam funcionavam em casas alugadas e inadequadas. DIÁRIO Em 1989, quando começou seu segundo mandato, a situação era outra... FREDERICO Naquela época Cuiabá tinha uma estrutura ampliada se comparada com o período de minha primeira administração. Mesmo assim tínhamos deficiência em infra-estrutura e a dificuldade de arrecadação era sempre grande. Nós fizemos alguns programas, mas à custa de ajuda do governo federal. O governador de Mato Grosso à época, Jayme Campos, pouco fez por Cuiabá, e ele apenas me ajudou a resolver o problema de atendimento na área de saúde. DIÁRIO Apesar dos problemas para se administrar, a cidade crescia... FREDERICO Sim. Cuiabá tinha um volume de construções muito grande. A cidade já havia extrapolado seu limite urbano dos anos 1960 com o surgimento de novos bairros e naquela época fizemos várias obras, inclusive canalização de córregos. DIÁRIO Seus sucessores levaram adiante seus projetos? FREDERICO Fiz uma coisa em Cuiabá que lamentavelmente foi desmanchada. Foi a terceirização das escolas públicas do município. Terceirizei a administração de seis escolas municipais por concorrência. Os vencedores eram responsáveis pela manutenção do próprio, merenda escolar e todas as obrigações de conservação dos imóveis e ensino. A prefeitura pagava por aluno em sala de aula, e isso fazia a terceirizada se interessar pela presença do aluno. Esse método dava excelente resultado, mas não dava resultado político e meu sucessor, Dante de Oliveira, extingui esse processo e tudo voltou ao que era antes. (EG)