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CIDADES
Sábado, 11 de Maio de 2013, 13h:37

SEM CIRURGIA

Doulas e o parto natural

Maior parte dos nascimentos em Cuiabá é cirúrgica, sendo que no ano passado foram 9.658 cesáreos e 6.097 normais

ALECY ALVES
Da Reportagem
Em Cuiabá, onde ano passado 63% dos partos realizados foram por meio cirúrgico, cesariana, e a maioria dos outros 47% com a ajuda de medicamentos intravenosos que aceleram as contrações e o nascimento do bebê, surpreende saber que existem profissionais que têm como função assistir e acompanhar até a maternidade as gestantes que escolheram se tornar mães por meio natural, como acontecia outrora. Essa é a função da “Doula”, cuja palavra é de origem grega e significa "mulher que serve”. Ela tem como atribuição oferecer suporte afetivo, físico, emocional e de conhecimento durante a gravidez, o parto e até depois do nascimento do bebê. Na capital mato-grossense, apenas cinco mulheres atuam nessa tarefa. Não precisa ter formação superior ou ser da área de saúde para se tornar uma “doula”, mas é necessário ter capacitação específica. Essa ocupação está prevista no Código de Classificação Brasileira de Ocupações(CBO) desde 2010. Uma delas é a enfermeira Damaris Brito Figueiredo, 32 anos, que inicialmente atuou na assessoria das mulheres para o aleitamento materno. Há dois anos na função de “doula” e grávida do segundo filho, Damaris lamenta que as mulheres brasileiras sejam desestimuladas a fazer o parto normal humanizado, sem meios externos para acelerar. E que o parto tenha se transformado em um evento hospitalar, com dia e horários agendados, e não em um evento fisiológico. O parto, oberva Damaris, pode precisar de intervenção, mas não para ser apressado. Ela mesma, sem a consciência que dispõe hoje, teve a primeira filha com uma cesariana, mas não quer que isso ocorra com o segundo filho. Foi o que aconteceu com a professora Yara Galdino, 34 anos, que teve os dois primeiros filhos por cesárea e o último por parto normal. Yara conta que sempre, desde a primeira gravidez, queria muito o parto normal, porém não teve apoio dos médicos. Tanto, diz, que mudou de profissional nas três gestações. Bento, que completa um ano no próximo dia 25, nasceu da maneira que Yara sempre sonhou, sem cirurgia ou meio que acelerasse o nascimento. Ela contratou os serviços de uma “doula”. A professora descreve o parto como a experiência mais maravilhosa da sua minha vida. “Superou todas as minhas expectativas”, completa. Damaris destaca que existem estudos que mostram que 70% das mulheres pensam no parto normal quando engravidam, porém ao longo da gestação são desencorajadas e levadas a fazer a cesárea. A migração para a cesárea ocorreu, entre outros fatores, pela facilidade para o profissional médico que a assiste e pela violência empregada ao método normal. “A imagem que temos sobre trabalho de partos é de mulheres gritando de dor, com fome e até de pessoas subindo na barrida dela para o bebê nascer. Ou ainda, do aceleramento do nascimento com remédios que aumentam as dores”, diz. Em Cuiabá, de acordo com dados do Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC), fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde(SMS), ano passado foram realizado 6.097 partos normais e 9.658 partos cesáreas. Esse número representa 3.561 nascimentos por meio cirúrgico a mais que no método normal. Este ano, dados parciais dos partos ocorridos entre janeiro e abril indicam tendência similar. Foram 1.888 normais contra 2.471 cesarianas. No ranking da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil aparece em segunda colocação entre os países com mais cesarianas em relação ao total de nascimentos. De 2000 a 2010, dos novos brasileiros que vieram ao mundo, 43,8% foram partos por cesariana, deixando o país atrás apenas do Chipre, que teve 50,9%.

Edição EDIÇÃO 16959




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