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CIDADES
Quinta-feira, 17 de Junho de 2010, 21h:07

AFOGAMENTO

Dois crimes cogitados

Corregedoria da PM trabalha com hipótese de violência contra inferior e inobservância da lei, contrária a homicídio doloso

ADILSON ROSA
Da Reportagem
O responsável pelo inquérito policial militar que investiga a morte do soldado alagoano Abinoão de Oliveira, tenente-coronel Otomar Pereira de Pereira, disse ontem que as investigações estão focadas em dois crimes principais: violência contra inferior e inobservância de lei e instrução, previstos no Código Militar. A partir deles, será possível chegar a outros, como homicídio praticado contra o militar alagoano. Coronel Otomar acrescentou que protocola o inquérito na Justiça Militar no prazo final, próximo dia 25. As informações foram prestadas ontem durante a reconstituição do treinamento do Centro Integrado de Operações Aéreas da PM para novos tripulantes de helicópteros, que resultou na morte de Abinoão no dia 24 de abril, no Clube de Golf de Cuiabá, na estrada a caminho da usina de Manso. As conclusões do IPM podem, portanto, caminhar para algo diferente do que apontou a Polícia Civil, que concluiu o inquérito no dia último dia 25. A delegada Ana Cristina Feldener, responsável pelas investigações, responsabilizou cinco militares, sendo dois oficiais, por homicídio triplamente qualificado contra o PM do Alagoas. Além disso, o inquérito apontou três tentativas de homicídio contra os demais alunos que passaram mal no curso. “Além desses dois crimes principais, investigamos também os demais que aparecem durante os trabalhos. Até agora, foram ouvidos mais de 60 pessoas, algumas até mais de uma vez. Para a conclusão dos trabalhos, dependemos do laudo dessa perícia que estamos fazendo aqui”, frisou Pereira. A reconstituição, no entanto, não contou com o aluno Leonel Cristo, que estaria ao lado de Abinoão no momento em que morreu afogado. Coronel Otomar disse não ser importante a presença dele, uma vez que estava no treinamento e não ao lado do soldado alagoano. Disse ainda que o depoimento de Leonel é robusto, consistente, não sendo necessária a presença dele na reconstituição. Coronel Otomar destacou que mais importante que os depoimentos são as provas técnicas, entre elas a perícia de local realizada durante a reconstituição. “Trata-se de um trabalho técnico. Baseado no laudo é que poderemos fazer o indiciamento, no final das investigações”. O perito criminal Lino Leite, do Instituto de Criminalística (IC), explicou que o trabalho de reconstituição seria realizado por cinco peritos, para agilizar os trabalhos. Lembrou que fizeram a marcação de local na areia e na água da represa. A partir daí, serão confrontados os depoimentos. “Vamos analisar onde estavam cada um e seu campo de visão, se estava perto ou longe, o que poderia enxergar daquele local”, exemplificou. Da simulação, participaram 23 alunos – os mesmos que estavam no dia da tragédia – além de sete militares instrutores. Como instrutor estavam tenente Dulcésio Barros Oliveira, tenente Carlos Evane Augusto, como auxiliar de instrutor - os dois são apontados como responsáveis diretos pela morte do PM no inquérito civil -, além do sargento Moisés Fidelis Pereira como monitor e, como auxiliares de instrução, os soldados Saulo, Alvarenga, Moraes e De Abreu. Pelo inquérito instaurado pela Polícia Civil, os depoimentos confirmam uma série de acontecimentos envolvendo o militar alagoano dias antes e o dois oficiais que participaram como instrutores. O laudo de necropsia apresenta sinais de lesão no rosto e no tórax da vítima, característicos de quem foi levado à força até o fundo da lagoa. Em seus depoimentos, os militares, no entanto, negaram qualquer alteração no programa, informando que seguiram o cronograma e nada de anormal foi realizado.

Edição EDIÇÃO 16959




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