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CIDADES
Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010, 20h:28

CHACORORÉ

Divergência sobre abertura de corixos em baía pantaneira

Professor aponta que governo está demorando para abrir canais e recuperar local, que enfrentou maior seca. Sema diz que mudança demanda avaliação

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Academia e governo estadual divergem sobre as medidas que deveriam ser tomadas para recuperar e garantir a sobrevivência da baía de Chacororé, a terceira maior do Pantanal, em Barão de Melgaço (a 133 Km de Cuiabá). De um lado está o professor de engenharia sanitária da UFMT Rubem Mauro Palma de Moura, que aponta desinteresse do governo em desobstruir os corixos interligados à baía. De outro, o Estado alegando que está decidindo ainda quais corixos abrir. Os corixos são canais que, como no caso de Chacororé, saem dos rios e se interligam às baías, levando água e compartilhando a fauna aquática. Para a dinâmica do Pantanal, são elementos essenciais. Na baía de Chacororé, a obstrução dos corixos pela construção da estrada de Estirão Comprido e pelos moradores no entorno (ribeirinhos ou donos de mansões) foi apontada como responsável pelo ressecamento anormal da baía verificado nos últimos meses – uma estiagem sem precedente. Outra razão para o ressecamento era a depredação das barragens que garantiam o nivelamento das águas em Chacororé, que tendem a correr para a contígua baía de Siá Mariana. Após denúncia da situação feita em outubro por Moura, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) logo interveio, recuperando as barragens. Entretanto, até hoje não foi realizada a segunda parte do trabalho de recuperação da baía, a desobstrução dos corixos e do rio Chacororé. Moura critica a posição sustentada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) até recentemente, a de que a abertura dos corixos não seria possível antes de 2011, devido às chuvas no fim do ano e à consequente cheia do Pantanal. “o governo já teve tempo e clima de sobra”. Ele aponta que, por falta de compromisso com o meio ambiente, o governo estaria deixando de lado obras tão simples e rápidas, perfeitamente exequíveis mesmo na época de cheia. Ele atribui o não-cumprimento inclusive a questões eleitoreiras deste ano. Também suspeita de que o governo estaria deixando de contrariar os moradores que obstruíram os corixos porque a simples recuperação da barragem já seria suficiente para escamotear o problema, pois consegue impedir novas grandes secas na baía. O importante detalhe é que esta água é um ambiente praticamente esterilizado: sem os corixos, não há distribuição da fauna aquática (o local, que já foi um dos maiores interpostos de pesca do Brasil, hoje mal fornece às peixarias de Barão). “Fechou corixo, matou o Pantanal. Nós vamos esperar mais?”. CONTRAPONTO - A secretária-adjunta da Sema, Mauren Lazzaretti, afirma entender os argumentos de Moura, mas diz que há aí uma divergência de opinião técnica com o acadêmico, que defende a desobstrução imediata da maioria dos corixos. Ela informa que a Sema está monitorando a situação de Chacororé diariamente até a próxima estiagem e analisando ainda quais corixos deverão ser abertos e em qual ordem até dezembro, com receio de que a abertura imediata de todos os canais acumule lixo na baía e provoque inundação nas casas do entorno. “O meio ambiente ali já foi modificado”, argumenta. Até o momento, o governo programa primeiro construir pontes sobre o rio Chacororé e o córrego Lueggi antes de partir para a abertura propriamente dita de ambos. Com essas obras preliminares a população assegurará seu acesso às comunidades de Estirão Comprido e Porto Brandão, anuncia o governo. Em nota, a Sema também divulgou que pretende fazer com que o nível das águas em Chacororé já se recupere com a limpeza e desobstrução de dois canais interligados à baía, o córrego Cupim e o rio Água Branca. Na parte montante da baía, ambos os leitos naturais foram perdidos, assoreados e cobertos por vegetação.

Edição EDIÇÃO 16966




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