CIDADES
Segunda-feira, 06 de Maio de 2013, 20h:31
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ILHA DA BANANA
Demolições conturbadas
Escombros de um prédio comercial caíram nas casas e estabelecimentos do entorno do local, onde passará o VLT
O início da remoção dos imóveis da Ilha da Banana, entre o morro da Luz e a Igreja do Rosário, lançou escombros sobre telhados e quintais das casas que ainda estão ocupadas à margem da avenida Coronel Escolástico. A intervenção, que irá abrir espaço para a passagem do VLT, assustou os moradores. Em uma loja de fogos de artifício, que funciona há 35 anos no mesmo local, o telhado de um pequeno depósito desabou com o impacto da queda de blocos das paredes e dos muros de um conjunto comercial já desocupado, cuja demolição é feita sem proteção ao entorno. "Estava sozinha na loja quando veio aquele estouro e tudo desabou lá nos fundos. O teto do depósito caiu inteiro", relatou a vendedora Adriana Martinelli, que trabalha na loja e se diz "amedrontada". "Imagine se alguém estivesse lá na hora?". Nuvens de poeira cobriram a casa de dona Maria Rita Rodrigues, que se recupera com dificuldades de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). No quintal, a pouco mais de cinco metros da cama onde ela dormia, grandes pedaços de tijolos e concreto espalhados pelo chão. O restante do muro, que se eleva a quase dez metros, ameaça cair sobre o imóvel. "É um terrorismo o que estão fazendo. Já nos pressionaram a sair, já disseram que vão nos tirar à força e, agora, estão derrubando até muro em cima da gente", reclama o neto da idosa, Adriano Rodrigues de Souza, que nasceu na casa há 25 anos. O episódio ocorrido ontem é apenas mais um elemento a compor o confuso cenário envolvendo a desocupação total da ilha - que, além dos trilhos do VLT, dará espaço a uma praça cultural, chamada de Largo do Rosário. Na sexta-feira passada (3), o juiz Roberto Seror, da 5ª Vara da Fazenda Pública, mandou suspender o processo de desapropriação da casa onde há 47 anos vive o economista Benedito Carlos Addor. Ele afirma, com base em documentos expedidos pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que o imóvel é tombado. "A Secopa está atropelando tudo, passando por cima de quem sempre viveu aqui. Minha casa é tombada e a Justiça vai reconhecer isto", relata, em entrevista ao DIÁRIO. O tombamento do imóvel de Addor está reconhecido em certidões, assinadas pelo então superintendente do Iphan, Cláudio Conte, e que permitiram ao morador obter a isenção do pagamento do IPTU junto à prefeitura. A atual superintendente, Marina Lacerda, diz que o imóvel em questão fica no entorno da área tombada e não está sujeito à proteção federal. "A certidão do Iphan poderia ter sido mais bem redigida. Aquele imóvel não é tombado", diz. Procurado, o secretário-adjunto da Secopa, Alysson Sander, não quis comentar o caso.