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CIDADES
Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008, 20h:26

OTORRINO

CRM abre investigação

Entidade que apura denúncia contra médicos instaura inquérito sobre a morte de bebê de um ano e 8 meses

ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Aguiar Farina, informou que a entidade já abriu inquérito administrativo para apurar as circunstâncias da morte do menino Pedro Henrique Pereira dos Santos, de apenas um ano e oito meses. Os próximos passos da investigação será a instrução das duas partes envolvidas – a família do garoto e representantes do Hospital Otorrino. Pedro Henrique morreu anteontem, quatro dias depois de ser submetido a um exame no Hospital Otorrino, em Cuiabá. Depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória, enquanto realizava procedimento anestésico pelo médico José Pinheiro da Silva, Pedro Henrique passou por reanimação no próprio hospital e, posteriormente, foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Clínica Femina. No registro de óbito, a causa consta como “morte encefálica parada cardiorrespiratória por indução anestésica”. A mãe do menino, Maisa Pereira dos Santos, registrou boletim de ocorrência no Cisc Verdão, na tarde de anteontem. O caso foi encaminhado para a Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Dedica), que deve abrir inquérito nos próximos dias. A família acusa o Hospital Otorrino de negligência médica. Segundo o relato da mãe, o médico teria iniciado a anestesia enquanto o garoto estava agitado e chorando. “Ele (Pedro Henrique) chorava muito e se debatia e o médico continuava enfiando os aparelhos”, contou Maisa. Os familiares também acusam o hospital de não passar qualquer informação a respeito do que teria acontecido com a criança. Ainda anteontem, o corpo de Pedro Henrique foi submetido a exame de necropsia pelo Instituto Médico Legal. O resultado deve ficar pronto em 15 dias. A reportagem tentou entrar em contato com o Hospital Otorrino, mas as recepcionistas informaram que a direção da unidade não se manifestaria. Por meio de informe publicitário, o Hospital se limitou a informar que “no ato da indução anestésica (inalatória), realizado por um médico com mais de 25 anos de experiência, o paciente teve uma parada cardiorrespiratória e foi atendido imediatamente pela equipe que assistia”. Informou ainda que “devido a intercorrência, foi realizada a manobra de reanimação eficaz com êxito, obtendo estabilidade hemodinâmica e remoção para continuidade do tratamento em outra Unidade Hospitalar”. O Hospital Otorrino também garantiu, através do anúncio, que “possui estrutura adequada para atendimento de urgência e emergência, bem como para manutenção da vida que atua com status de UTI”. A mãe do menino afirmou que o garoto não tinha e nunca teve qualquer problema de saúde e foi fazer o exame simplesmente porque tinha um leve ronco ao dormir. “Ele não tinha febre, não tinha gripe, dor, vômito. Ele nem sequer tinha problemas para dormir”, relatou. A família insiste na suspeita de negligência médica. “Eu acho que ele morreu asfixiada por grosseria do anestesista”, opinou a mãe.

Edição EDIÇÃO 16968




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