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CIDADES
Quinta-feira, 22 de Março de 2012, 21h:50

TRANSPORTE COLETIVO

Cobrador de ônibus: ter ou não ter?

Se por um lado o cobrador facilita o transporte, por outro ele torna o sistema fica mais caro e mais vulnerável a assaltantes

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
O vereador Domingos Sávio (PMDB) ingressa hoje (23) com uma ação civil pública com pedido de liminar para urgente recontratação dos cobradores de ônibus de Cuiabá. O documento será protocolado no Fórum da Capital por volta das 14h. O sistema de cartão do portado, proposto pela Associação Mato-grossense de Transportes Urbanos (MTU) já foi implantado em pelo menos 30 linhas do transporte coletivo da capital e, segundo o vereador, a ausência destes profissionais nos ônibus que circulam em Cuiabá já está sendo sentida pela população. A Câmara de Cuiabá realiza audiência pública acerca do tema no próximo dia 11 de abril. A Secretaria Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) já tem dez dias para apresentar ao Ministério Público Estadual (MPE) informações sobre a gradual extinção do cargo de cobradores nos ônibus que circulam na Capital. O pedido foi feito pelo promotor Ezequiel Borges de Campos, que instaurou um inquérito civil para investigar o novo sistema, após constatar as inúmeras reclamações realizadas sobre o caso na Promotoria de Justiça e Defesa do Consumidor. O projeto visa a incentivar o usuário dos transportes coletivos da Capital a usar cartões eletrônicos, mas não tem agradado. Muitos acreditam que esta medida pode até prejudicar o sistema de transporte coletivo, pois estaria causando atrasos no itinerário, acúmulo de serviço para os motoristas, bem como demora na entrada de passageiros. O promotor solicita informações sobre os motivos de a SMTU ter autorizado o novo sistema, bem como todo o procedimento adotado para realizar a expansão. A Associação Mato-Grossense dos Transportes Urbanos (MTU) afirma que o principal objetivo do novo sistema é zelar pela segurança dos funcionários e também do usuário, já que com a utilização de catracas eletrônicas a pessoa não poderá pagar sua passagem com dinheiro, somente com cartão. Segundo a instituição, isso levará a uma diminuição nos índices de assalto a ônibus na Capital, que no ano passado atingiu uma média de 100 ocorrências por mês. Eles acrescentam que, caso 100% da frota estivesse com cobradores, a tarifa que recentemente aumentou para R$ 2,70 teria que ser de R$ 2,93. E caso a figura de cobrador não existisse mais na frota, a tarifa seria de R$ 2,40. Com relação ao desemprego dos cobradores, a Associação afirma que são oferecidas diversas opções aos cobradores, sendo elas: curso de direção, para que os mesmo possam virar motoristas, ou até mesmo vaga no setor administrativo das empresas. Segundo a MTU, grande parte das mulheres que hoje atuam como motoristas eram cobradoras. Para incentivar a medida, o presidente da Federação dos Transportadores Urbanos (Fetramar), João Rezende, estará em Cuiabá amanhã (23), para ministrar palestra sobre como o transporte coletivo em outras capitais brasileiras se adaptou com o uso apenas de cartão transporte. A última capital a adotar o sistema foi Campo Grande e conseguiu zerar o número de assaltos a ônibus.

Edição EDIÇÃO 16959




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