Caso Sudam exposto a partir de relatório com suspeita de fraudes
O escândalo da Sudam começou a vir à tona a partir de um relatório de um grupo especial criado para investigar suspeitas. Em 29 dos 95 projetos analisados na época, constatou-se que havia fraudes superiores a R$ 108,6 milhões. E isto era apenas parte do rombo, cujo tamanho seria dimensionado mais tarde, chegando a quase R$ 2 bilhões no total, em valores do início da década. Parte significativa das irregularidades aparecia em projetos desenvolvidos ou aprovados durante a gestão de indicados do ex-senador Jader Barbalho, que governou o Pará de 1983 a 1987 e depois de 1991 a 1994. Entre eles, estavam José Arthur Guedes Tourinho e Maurício Vasconcelos, ex-superintendentes da Sudam, demitidos por serem acusados de envolvimento em várias irregularidades. Os desvios ocorriam sob forma de documentos fiscais falsos (nota fria, nota calçada ou bloco paralelo), contratos de bens e serviços forjados, transações comerciais entre empresas incentivadas e seus acionistas e superavaliação da capacidade financeira dos empreendedores (pessoas físicas e jurídicas). O relatório inicial não levou em conta os projetos de José Osmar Borges que, posteriormente investigados, revelaram um rombo de quase R$ 200 milhões. Em maio de 1996, o empresário adquiriu a Agropecuária Campo Maior em sociedade com a mulher de Jader, Márcia Cristina Zahluth Centeno. Em 1998, a sociedade foi desfeita, e uma empresa do ex-senador comprou a parte do sócio. Nos inquéritos, há o registro de seis depósitos de Borges em favor do jornal Diário do Pará, de Jader. A devassa na Sudam começou a partir de acusações do ex-senador Antônio Carlos Magalhães sobre irregularidades na superintendência.