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CIDADES
Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013, 20h:54

ABORTO

Cantora é indiciada

Suspeita de auxiliar a filha de 15 anos em um aborto, Maria Adelaide veio ao Brasil para depor e nega o crime

HELSON FRANÇA
Da Reportagem
A atriz e cantora portuguesa Maria Adelaide Mengas Matafome Ferreira, 54 anos, foi indiciada pelo crime de aborto, por supostamente ter ajudado a filha de 15 anos, que reside em Cuiabá, a cometer o ato. A adolescente L. foi parar no Hospital Universitário Júlio Müller após ter hemorragia e perder a criança no dia 4 de janeiro deste ano. Ela encontra-se recolhida na Casa de Retaguarda desde a data. Pelo mesmo crime, foram indiciados também Jean Carlo de Lima Arruda, 21 anos, namorado da garota, e a enfermeira Graziela Aparecida das Torres, 37 anos, mãe do rapaz. Ele teria recebido o dinheiro (50 dólares) de Maria para comprar, via internet, o medicamento abortivo para a adolescente - com o consentimento de Graziela, informou o delegado Paulo Araújo. Acompanhada do advogado, Maria aterrissou no aeroporto Marechal Rondon na madrugada desta quarta e, durante a tarde, compareceu à Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) para prestar depoimento. Ela negou que tenha auxiliado a filha, que estava no terceiro mês de gestação, a tirar o bebê. A cantora diz que tomou conhecimento da gravidez da adolescente somente no dia em que ela abortou. O advogado Isaque Rocha, responsável pela defesa de Maria, contou que a sua cliente leu, de Portugal, um e mail da filha na madrugada do dia 4 de janeiro, no qual L. relatava a gravidez. Segundo Isaque, devido ao fuso horário, Maria deu um tempo até ligar para L., que estava com o namorado na casa de Graziela. “Quando ela ligou foi que informaram que a menina havia tomado o medicamento abortivo e que estava sangrando. Maria, então, orientou que a levassem para um Hospital”, afirmou o advogado. Depois de receber os atendimentos médicos, a garota prestou esclarecimento ao Conselho Tutelar e ao delegado Araújo. Num primeiro momento, ela isentou a mãe, bem como o namorado e a sogra, dizendo que havia feito tudo sozinha e que tinha engravidado em Portugal. Porém, no dia 11 de janeiro, mudou a versão, dizendo que mentiu por orientação da mãe. A cantora, inclusive, depois de saber do ocorrido, ligou para a filha na Casa de Retaguarda para lhe dar uma bronca, por ela ter contado a verdade. A ligação foi testemunhada por funcionários da Casa. Para expelir a criança, a garota ingeriu quatro comprimidos com substância abortiva. Concretizado o ato, Graziela e Jean levaram L. para o Hospital. A adolescente levou consigo o feto expelido. O delegado afirmou que o depoimento dos três não apresenta contradições. “A parte contraditória é a versão apresentada pela mãe da adolescente”. Araújo pediu a quebra do sigilo das conversas via internet entre as partes envolvidas. Ele afirmou que não vê necessidade de pedir que Maria permaneça no Brasil, já que ela não possui antecedentes criminais e demonstrou boa vontade em cooperar com a investigação. L., por sua vez, responderá a um ato infracional. Nos próximos dias a Justiça decidirá o seu destino. Ela, que namora Jean há aproximadamente um ano, está no Brasil desde o dia 28 de setembro. O advogado de Maria argumentou que o principal motivo da vinda da cantora ao Brasil é de tentar voltar com a filha para Lisboa. “O que ela mais quer é isso”.

Edição EDIÇÃO 16959




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