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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

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Terça-feira, 16 de Junho de 2026, 10h:25

APÓS PIORA

Cacique Raoni reage a tratamento e apresenta melhora na UTI

Líder indígena de 94 anos está internado na UTI em Sinop desde domingo. Equipe médica detalha quadro clínico

POLLYANA ARAÚJO
Do Primeira Página
Embaixada do Reino Unido/Brasília
Segundo os médicos, Raoni permanece lúcido, conversa com familiares e profissionais de saúde e respira sem auxílio de aparelhos

O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, apresentou melhora clínica desde a internação ocorrida no último domingo (14), mas continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop (503 km ao Norte de Cuiabá).

As informações foram divulgadas nesta terça-feira (16), durante coletiva de imprensa concedida pela equipe médica responsável pelo tratamento.

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Segundo o diretor técnico da unidade, o médico Douglas Yanai, Raoni permanece lúcido, conversa com familiares e profissionais de saúde e respira sem auxílio de aparelhos.

“Ele está consciente, conversando e respirando sem necessidade de aparelhos. Isso representa uma melhora bastante significativa do quadro”, afirmou.

QUADRO - De acordo com os médicos, o líder indígena apresentou episódios persistentes de vômito, além de dor e distensão abdominal.

Ao dar entrada no hospital, também apresentava desidratação e alterações na função renal.

Os exames identificaram um quadro de suboclusão gástrica, condição que dificulta a passagem dos alimentos pelo sistema digestivo.

Os vômitos também teriam provocado uma broncoaspiração, quando parte do conteúdo gástrico alcança os pulmões, agravando o estado de saúde.

Por causa do problema, Raoni permanece em jejum e sob monitoramento contínuo da equipe multiprofissional.

CIRURGIA - Durante a coletiva, os médicos esclareceram que não existe indicação de cirurgia neste momento.

Segundo a equipe, a prioridade é o tratamento clínico para estabilização do quadro.

Também foi descartada a necessidade de intubação.

A possibilidade chegou a ser considerada quando o paciente apresentava vômitos frequentes e risco de aspiração, mas a evolução clínica permitiu evitar o procedimento.

“Ele não está intubado e não existe planejamento para intubação neste momento”, reforçou o diretor técnico.

IDADE E COMORBIDADES - A equipe médica destacou que a idade avançada e as comorbidades tornam a recuperação mais delicada.

Raoni possui doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), insuficiência cardíaca e utiliza marcapasso devido a episódios de fibrilação atrial.

Apesar disso, os médicos ressaltaram a capacidade de recuperação do líder indígena.

“Ele é um homem muito forte. Conhecemos sua trajetória de saúde há vários anos e sabemos da sua capacidade de recuperação. Mas é um quadro que exige muito cuidado”, afirmou a equipe.

SEM PREVISÃO DE ALTA - Embora os indicadores infecciosos, inflamatórios e a função renal tenham apresentado melhora, os médicos afirmam que ainda é cedo para falar em alta hospitalar.

A expectativa é continuar a observação clínica, melhorar o quadro gastrointestinal e, posteriormente, realizar uma endoscopia para avaliar a evolução do tratamento.

Todas as decisões médicas seguem sendo discutidas com familiares, lideranças indígenas e com a equipe do médico Douglas Rodrigues, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que acompanha a saúde de Raoni há mais de duas décadas.


Edição EDIÇÃO 16965




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