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CIDADES
Segunda-feira, 05 de Julho de 2010, 22h:58

DESVIO DE FUNÇÃO

Bombeiros molham grama do Dutrinha

Fotos tiradas na semana passada mostram viatura sendo usada no estádio; comandante diz que campo é usado para treino dos soldados

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Enquanto o Corpo de Bombeiros tem dificuldades para atender todas as chamadas de queimadas, até em função do grande número de ocorrências urbanas registradas, viaturas estão sendo utilizadas para molhar a grama de campos de futebol, como ocorreu na semana passada no estádio Dutrinha, que fica em frente à sede da corporação, no bairro Porto. De acordo com denúncia, essa “troca de favores” ocorre com frequencia. “Enquanto o Estado está pegando fogo e falta estrutura para o combate, viaturas são usadas para molhar grama”, disse um cidadão que pediu para não ser identificado. “No Estado houve um aumento de mais de 60% no número de focos de calor e, se estão crescendo, é porque não está havendo prevenção e combate”, acrescentou. Ele observa ainda que a função do Bombeiros não é molhar grama. “Há um desvio de atribuição, da finalidade e da própria atividade profissional”, frisou. A acusação dá conta ainda que diante de situações como estas e do aumento de queimadas, várias chamadas feitas ao Corpo de Bombeiros deixam de ser atendidas. A reportagem do Diário teve acesso a fotos que mostram a viatura dos Bombeiros molhando a grama do estádio. O comandante da Regional I, tenente-coronel Júlio Cezar Rodrigues, rebate a denúncia. “Temos plena consciência da nossa responsabilidade e temos condições de prestar esse apoio sem comprometer o atendimento ou causar prejuízo à população”, afirmou. Além de frisar que o Dutrinha é um espaço considerado de utilidade pública, Rodrigues cita que o campo é utilizado para treinamento dos militares. “Houve uma solicitação da administração do Dutrinha, que está com problema de recebimento de água para molhar a grama do estádio, e este é um apoio que temos condições de prestar sem causar qualquer prejuízo à população”, reforçou. O comandante também explicou que a viatura usada é de abastecimento e não de combate. “São duas de grande capacidade e uma sempre fica de reserva”, afiançou. Com capacidade para 12 e 30 mil litros de água cada, as viaturas de abastecimento são usadas, conforme Rodrigues, em situação extrema. “É uma viatura que tem a função de se deslocar para apoiar as de combate (em torno de 10)”, assegurou. “A frota está bem dimensionada e a população pode ficar tranquila”, acrescentou. No início deste mês, o Instituto Centro de Vida (ICV) divulgou um alerta sobre o total de ocorrências para o primeiro semestre de 2010, pois é semelhante ao primeiro semestre de 2006, que terminou com quase 60 mil focos de calor. Os dados fazem parte de uma análise elaborada pelo ICV que utilizou uma série histórica de 1º de janeiro de 2005 a 29 de junho de 2010 dos dados dos sensores Aqua e Terra do satélite Modis. Apenas no primeiro semestre deste ano (até junho), o número de focos de calor no Estado aumentou em mais de 150% com relação ao mesmo período do ano passado. O Instituto aponta ainda que o número total de focos que ocorrerão em 2010 dependerá essencialmente das ações de prevenção realizadas nas áreas críticas. Conforme o estudo, 15 municípios contabilizaram mais de 100 focos de calor no primeiro semestre de 2010. Entre eles, Tangará da Serra teve o maior número de focos (565 focos), seguido de Santa Carmem (381 focos) e Paranatinga (250 focos). Além do fator climático, outra causa apontada pelo ICV para o aumento é a antecipação de queimadas para fins agropecuários antes do período de proibição, que normalmente se inicia em 15 de julho e corre até 15 de setembro.

Edição EDIÇÃO 16959




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