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CIDADES
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010, 21h:20

OPERAÇÃO MARANELLO

Audiência tem uma testemunha ouvida

Foi realizada ontem uma das primeiras audiências judiciais referentes à Operação Maranello, deflagrada no final de 2009 pela Polícia Federal e que desvendou um esquema de narcotráfico internacional com extensa lista de envolvidos em Mato Grosso, entre eles advogados e empresários. A audiência foi sigilosa e nem os nomes dos interrogados foram divulgados. Entretanto, para a defesa de alguns acusados, a audiência só serviu para constatar falhas graves no processo, como a falta de testemunhas arroladas pela acusação – apenas uma teria sido ouvida. “A audiência só confirmou a debilidade do processo”, sustentou o advogado Eduardo Mahon, representante de parte dos acusados – cuja identidade ele prefere preservar. Segundo Mahon, a audiência teve apenas uma testemunha de acusação, o antigo dono da fazenda onde acontecia parte das operações do esquema internacional de narcotráfico. A testemunha, relata Mahon, não reconheceu ninguém dos envolvidos no processo e nunca soube de qualquer uma das atividades investigadas pela PF. “A acusação se mostrou profundamente débil, foram 30 minutos sem nada que agregasse ao processo. Tanto que a defesa nem fez pergunta”, critica Mahon, especialmente pelo fato de o Ministério Público Federal (MPF) ter arrolado apenas uma testemunha de acusação “num processo complexo e com tantos denunciados. Realmente, o MP não tem argumento nenhum, a não ser os grampos. O processo está exclusivamente escorado neles”, aponta, referindo-se às escutas telefônicas que embasaram a investigação da PF. Na última quarta-feira, Mahon ingressou na Justiça Federal com pedido de habeas corpus para parte dos acusados, argumentando a ilegalidade das escutas telefônicas – realizadas sem a instauração de inquérito policial. O procurador Marcellus Barbosa Lima, representante do MPF no processo, foi procurado pela reportagem, mas está de férias. HISTÓRICO – A audiência de ontem ocorreu duas semanas após a execução – por suposta “queima de arquivo” – do empresário e advogado Munir Hammoud, 34 anos, apontado como peça fundamental do esquema criminoso desmantelado pela PF. Assassinado com sete tiros de pistola, ele era braço-direito do advogado Edézio Ribeiro Neto, o “Binho”, considerado o chefe da organização criminosa investigada pela PF. Hammoud respondia pelos crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, denunciado pelo MPF. Sobre a execução, policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa não descartaram a hipótese de o crime consistir em um aviso para Binho, foragido desde setembro de 2009, quando sua prisão preventiva foi decretada.

Edição EDIÇÃO 16968




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