CIDADES
Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013, 20h:35
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CÁCERES
Assoreamento ameaça BR
Rodovia corre o risco de ceder e mudar curso do rio Paraguai, o que afetaria o porto, bem como a logística de MT
GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
O assoreamento da encosta da BR-070 em de Cáceres (225 km a oeste de Cuiabá) pode romper a pista, que é a única ligação entre o estado de Rondônia e parte oeste de Mato Grosso com a Capital. Além de interromper a via, o incidente também pode mudar todo o leito do Rio Paraguai, inutilizando os portos do município e região. De acordo com o prefeito de Cáceres, Francis Maris Cruz, a prefeitura acionou o Ministério Público Federal (MPF) contra o governo estadual e o Departamento Nacional de Infraestrutura do Transporte (Dnit). O documento foi protocolado no último dia 15, porém até agora nada foi feito. Segundo o prefeito, o problema vem desde a gestão anterior, mas desde que assumiu já pediu socorro tanto para o Dnit quanto para o governo do estado e nada foi realizado. Na última semana, a gestão municipal organizou uma audiência com juízes, polícia federal e até almirantes da marinha para evidenciar o problema e pedir ajuda. Nós fizemos diversos alertas sobre o risco do rio Paraguai romper a BR-070, no trecho após a ponte Marechal Rondon, ainda dentro do perímetro urbano da cidade. Em janeiro, pedimos novamente. Como não obtivemos resposta até agora, a saída vai ser pedir socorro ao MPF, afirmou o prefeito. O alerta também havia sido reforçado pela Câmara dos Vereadores do Município, que segundo a assessoria, há mais de oito anos vem pedindo que algo seja feito antes que a situação se agrave. De acordo como o engenheiro civil e consultor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (CREA-MT), Adilson Reis, a margem do rio que ficava há mais 30 metros da via já está há menos de 10 metros. O rio vem avançando até três metros por ano. Nos períodos de cheia, ele chega a ficar colado na rodovia. Adilson explicou que a BR funciona como barragem para o rio Paraguai, se ele romper a via, mudará todo curso do leito, alterando assim toda a dinâmica da região que tem a economia norteada pelos portos. Sem contar que a ausência da rodovia vai acabar com o tráfego de parte do estado e de Rondônia. Também não teremos mais o trânsito com países vizinhos, como Bolívia e Venezuela. Segundo o engenheiro, o local onde está fixada a estação de abastecimento de água do município também será atingido e toda a cidade ficará sem água. Ele afirmou ainda que até os portos de Cáceres, considerados os maiores do estado, seriam atingidos. O prejuízo é incalculável, não só para a cidade e região, mas para todo estado, já que boa parte dos insumos produzidos em Mato Grosso usa o porto de Cáceres para ser transportados, afirmou.