CIDADES
Sábado, 28 de Agosto de 2010, 12h:27
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REPÚBLICAS
Alunos e moradores vivem embate no Jardim Europa
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
A convivência entre alguns moradores e estudantes do Jardim Europa, bairro que fica perto da Universidade de Cuiabá (UNIC) e da Universidade Cândido Rondon (Unirondon), não tem sido tranquila nos últimos meses. O motivo do atrito seria o excesso de festas e barulho dos alunos que moram no local. O Jardim Europa abriga pelo menos cinco repúblicas de estudantes universitários e a maioria delas está perto da praça principal do bairro. Festas, bebedeiras, excessos de barulho são os maiores motivos de reclamação de quem mora perto das casas desses alunos. Uma mulher que mora em frente à praça, que pediu para não ser identificada, disse que está cansada da situação. Segundo ela, os piores períodos são os inícios dos semestres letivos nas universidades, quando parte dos trotes dos cursos de graduação acontece na praça. Esses alunos espalham lixo, bebem demais e ficam fazendo barulho. Além disso, durante o trote, os calouros e os veteranos ficam fazendo gestos obscenos em público. Tenho duas crianças em casa e não quero que elas fiquem vendo esse tipo de coisa, reclama. Conforme outra moradora, os alunos que fazem o trote não recolhem o lixo o que inclui garrafas de bebidas alcoólicas, cascas de ovo, preservativos e até mesmo roupas íntimas. Quem limpa depois são as pessoas que vivem aqui ao redor da praça. Isso é uma falta de respeito conosco, reclama. Ela informou ainda que já houve casos de estudantes que entraram em coma durante os trotes na praça. Conheço pessoas que decidiram se mudar de bairro porque queriam uma vizinhança mais tranquila e menos barulhenta, frisa. A reportagem conversou com um grupo de seis estudantes que mora em algumas das repúblicas do bairro. Assim como a moradora, eles também pediram para não terem seus nomes divulgados. Esses alunos não negam que os trotes aconteçam na praça do bairro, mas dizem que não são os responsáveis pelo ato. Nem sempre são os moradores das repúblicas daqui do bairro que organizam. Nós apenas participamos, não somos os responsáveis pelos trotes, argumenta o universitário. Os estudantes confirmam que depois dos trotes a praça fica suja e que as pessoas que moram perto do local acabam limpando tudo. Isso é verdade, a sujeira fica toda lá mesmo. Quem não participa da bagunça acaba tendo que limpar, afirma um deles. No entanto, os estudantes discordam da afirmação da moradora sobre as festas com música alta que acontecem dentro das repúblicas. Claro que fazemos nossas festas, mas sempre que alguém pede para abaixarmos o volume do som, nós atendemos. Nunca tivemos problemas mais sérios com ninguém, garante um estudante da UNIC. Nossos vizinhos não reclamam, pode bater ali na casa de alguns deles e perguntar, acrescenta. Mas, para alguns moradores, não é bem assim. Se não reclamam diretamente com os estudantes, procuram órgãos que podem ajudar a resolver o problema. O coordenador do setor responsável pela Poluição Sonora da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ademir Gomes de Moura, disse que já houve denúncia contra uma república do Jardim Europa. Além disso, pelo menos duas repúblicas foram denunciadas ao Juizado Volante Ambiental de Cuiabá nos últimos 60 dias por excesso de barulho. A informação é do conciliador do Juvam Alexandre Corbelino. Quando o Juizado Volante Ambiental recebe uma denúncia de excesso de barulho, a primeira providência é fazer o trabalho de campo para apurar as denúncias. A equipe que vai checar in loco o problema é formada por um conciliador do Juvam, um fiscal da prefeitura e policiais da Polícia Militar Ambiental. Caso seja constatado o excesso de barulho, o próximo passo é fazer uma audiência de conciliação entre o município e a parte que está causando o problema, diz Corbelino. As punições podem variar entre multa e autuação dos responsáveis pelo barulho. Em alguns casos, os culpados dos excessos podem responder criminalmente por isso.