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CIDADES
Sexta-feira, 06 de Março de 2009, 20h:50

‘GOLPE DE GLAMOUR’

Agência é denunciada

Empresa é acusada de emitir carteiras profissionais falsas e enganar jovens que sonham em ser modelo

RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
Profissionais do ramo da moda em Cuiabá estão acusando a empresa Top Produções de divulgar oportunidades duvidosas e produzir registros profissionais falsos para candidatos a modelo e manequim no Estado. Cerca de 20 pessoas selecionadas pela empresa em Cuiabá, inclusive menores de idade, estariam embarcando neste domingo para São Paulo para trabalhos em agências de moda. O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (Sated) suspeita que as empresas nem existam e que mães e aspirantes a modelo estejam sendo enganados. A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) está apurando o caso com base na denúncia feita pelo sindicato, que divulgou imagens de documentos falsos de três modelos e apontou o empresário Ghesyell Reis e o agente de modelos Piter Queiroz como responsáveis. Os indícios mais fortes de falsificação de documentos profissionais são os carimbos, conforme a SRTE. Eles são do modelo antigo, de quando a atual superintendência ainda funcionava sob a denominação legal de Delegacia Regional do Trabalho. Segundo o chefe substituto da seção de Emprego e Salário, outro indício com o qual a SRTE trabalha é a cobrança praticada pela Top Produções. Candidatos e responsáveis estariam pagando pela retirada do registro profissional. Tal cobrança é proibida, uma vez que o documento – original - é gratuito. Os candidatos selecionados foram atraídos por um cartaz que anuncia uma oportunidade única. “O próximo Top Model do Brasil pode ser você”, exclama o anúncio. Participando da seleção, estariam agências de modelos de São Paulo, diretores da revista Capricho, um agente internacional de modelos (no caso, Piter Queiroz), um instrutor de passarela do São Paulo Fashion Week e dois modelos. A Top Produções é gerenciada por Ghesyell Reis, que defende a boa-fé no serviço de assessoria dispensado aos candidatos a modelo, meninos e meninas. “Desconheço qualquer prática de emissão de documentos falsos. Além disso, nunca cobramos nada deles”, declara. Apontado na denúncia, Piter Queiroz diz não ter qualquer vínculo com a Top Produções. “Apenas fui convidado pelo Ghesyell para selecionar os candidatos em Cuiabá. Minha função terminava aí e faço isso há 10 anos no mercado. Desconheço a emissão de registros e até avisei para o presidente do Sated, Nestor Defletas, que ele deveria apurar isso, assim que fiquei sabendo dos boatos”, defende-se. Já Defletas declara o seguinte: “Não existe nem mesmo agência esperando esse pessoal em São Paulo. Além disso, esses documentos emitidos são tão reais quanto uma nota de R$ 3. Enquanto o certo é definir a profissão como ‘artista’, eles descreviam nos documentos falsos como ‘modelo/manequim’. Isso é a função, não a profissão”. CASOS - J., uma das candidatas selecionadas, diz que nunca pagou nada à Top Produções e nem sua responsável. Ela é menor de idade e teve divulgado pelo Sated um registro profissional falso atribuído a ela. O caso é parecido com o de Y., também menor e cujo documento falso foi divulgado. Ela afirma desconhecer o papel divulgado pelo Sated. V., mãe de uma candidata selecionada, está embarcando para São Paulo na manhã deste domingo com a filha. Ela diz que a Top Produções prometeu a emissão de um “protocolo provisório” para que sua filha pudesse trabalhar, embora não tenha idade o suficiente para o registro apropriado na SRTE. Ela afirma nunca ter visto o documento, mas Ghesyell alega que ele já foi emitido.

Edição EDIÇÃO 16965




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