BRASIL
Segunda-feira, 26 de Julho de 2010, 19h:52
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TEMAS POLÊMICOS
Tucano ataca e vincula Dilma ao MST
O presidenciável José Serra disse que, em caso de vitória de Dilma, a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) vai se intensificar
CAROLINA FREITAS
Da Agência Estado - São Paulo
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, voltou a tocar em temas polêmicos que pudessem envolver o governo federal e a candidata petista Dilma Rousseff. Ontem, em São Paulo, onde proferiu palestra promovida pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), o candidato tucano acusou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, notório simpatizante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de abrigar guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs). "Até as árvores da Floresta Amazônica sabem que a Venezuela abriga as Farc", afirmou. Serra disse também que, caso Dilma seja eleita, a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) vai se intensificar. Em palestra para mais de 400 empresários, o candidato tucano abordou o conflito diplomático entre a Venezuela e a Colômbia. Na visão de Serra, o Brasil poderia ter evitado o rompimento de relações diplomáticas entre os dois países, que aconteceu na quinta-feira, depois de o presidente colombiano, Álvaro Uribe, acusar Chávez de ser conivente com as Farc. "Se o Brasil tivesse gasto o tempo que gastou no Oriente Médio, inteiramente simbólico, na América do Sul, poderia ter evitado situações como as que estão acontecendo agora." Serra defendeu uma atuação internacional do Brasil em prol dos direitos humanos. "É amigo de Cuba? Muito bem. Então usa essa amizade para libertar os presos cubanos", disse o candidato. "Uma coisa é fazer negócio, outra é ter uma postura de camarada com um fulano como o ditador do Irã, que nega o holocausto, condena jornalistas à prisão, à forca os opositores e à morte por pedradas mulheres consideradas adúlteras." Questionado pela plateia, o candidato se disse a favor da tese de que "negócios são negócios", evocada no início do mês pelo ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, para justificar a visita do presidente Lula à Guiné Equatorial, governada há 30 anos por um ditador. "Eu sou a favor da tese 'negócios são negócios' e acho que o Brasil tem de fazer negócios, que é exatamente o que não fez nos últimos oito anos." Serra apontou ainda "filantropia", na relação do Brasil com Paraguai e Bolívia. "Vamos aumentar em 15% a remuneração pela energia do Paraguai em Itaipu. Estamos fazendo, sem dúvida, filantropia com Paraguai e Bolívia. Só me pergunto por que não com Sergipe, Piauí ou Maranhão." DILMA E O MST Aos empresários, Serra disse que, em caso de vitória de Dilma, a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) vai se intensificar. Ele lembrou que a petista conta com o apoio do líder do MST, João Pedro Stédile. "O Stédile declara apoio à Dilma porque, com ela, eles (sem-terra) vão poder fazer mais invasões, mais agitações", afirmou. Serra classificou o MST como um "partido revolucionário socialista". "Não é para a reforma agrária que o MST existe", afirmou. Segundo o tucano, não há problema em defender a "revolução", mas sim em fazer isso com dinheiro público. "O MST é um movimento de acumulação de forças revolucionárias", analisou. ECONOMIA O candidato criticou também a equipe econômica do presidente Lula, que não estaria atuando de forma integrada. "Temos de ter uma equipe econômica integrada, e não uma que atire em três direções contraditórias entre si. Uma que arrecada muito, outra que aumenta juros e outra que gasta feito louca", afirmou. Serra usou metáforas para se referir às autoridades federais. "Um é o leão para arrecadar, o outro é o durão e o outro é o Papai Noel do gasto", disse. Ele negou que tenha intenções de centralizar a condução da política econômica. "Não serei, como dizem, o presidente do Banco Central e o ministro da Fazenda. Vou pegar gente boa e entrosada." Serra apontou ainda a existência no Brasil de um "tripé maligno" da economia, que prejudicaria o atual tripé macroeconômico - câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação. De acordo com o candidato, o tripé "perverso" seria formado pela maior taxa de juros real do mundo, a maior carga tributária entre os países em desenvolvimento e baixo índice de investimento governamental.