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BRASIL
Segunda-feira, 12 de Março de 2001, 22h:09

CRISE

Tasso defende diálogo com ACM

KAMILA FERNANDES
Da AF – Fortaleza
O presidenciável Tasso Jereissati (PSDB), governador do Ceará, defendeu ontem à tarde um diálogo entre o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) para superar a ruptura política entre os dois. "Eles são homens muito importantes para o país e isso é uma responsabilidade muito grande”, disse o governador. "Eu sugeriria a eles prudência e que iniciem logo um diálogo”. A declaração de Tasso aconteceu um dia depois de ACM afirmar, em entrevista ao jornalista Boris Casoy, da TV Record, que o governador cearense é seu candidato favorito à sucessão de FHC na Presidência da República. "Foi uma atitude de muita generosidade por parte do senador Antonio Carlos falar isso, mas não sou candidato. Minha única preocupação é com o governo do Ceará”. Ele negou divergências com integrantes do PSDB, entre eles o ministro da Saúde, José Serra, outro nome do partido na disputa pela vaga de candidato a presidente. "Não tenho concorrentes dentro do PSDB, mas companheiros de partido”, afirmou Tasso. "Serra está fazendo um excelente trabalho no Ministério da Saúde e eu só tenho motivos para elogiá-lo”. O governador falou aos jornalistas quando saía de uma entrevista concedida à TV Verdes Mares, retransmissora da TV Globo no Ceará. Na entrevista dada à emissora de TV, Tasso afirmou que se sente "órfão” com a morte, na semana passada, do governador paulista Mário Covas. "Foi uma perda muito grande para mim, pessoalmente, porque sempre pautei minha vida política pelo exemplo de Covas”, disse o governador. "Para o partido também fica um vazio muito grande”. Na noite de ontem, Tasso participou de uma missa de sétimo dia para Covas organizada pelo governo do Ceará, em Fortaleza. Hoje, ele deve viajar para São Paulo para acompanhar outra missa que será realizada em homenagem ao governador. Covas era o principal nome do PSDB a defender Tasso como candidato à Presidência e insistia na realização de uma prévia do partido ainda neste ano para a definição do candidato tucano à sucessão de FHC. "Fiquei muito honrado quando Covas me lançou como candidato porque ele se lembrou do meu nome numa circunstância muito difícil, em que ele estava muito abalado”, afirmou Tasso. "Claro que, a partir daí, comecei a conversar sobre o assunto, mas, repito, não sou nem candidato a candidato”. A sucessão presidencial, segundo o governador, não será decidida agora, mas apenas no final do ano ou no início de 2002. "O que existe agora é só especulação. Mais nada”, declarou. Para Tasso, especulações geralmente dão errado. "Para a eleição de 1994, o Fernando Henrique não era cogitado nem para concorrer ao governo de São Paulo. Porém, por causa da conjuntura política, ele foi colocado como candidato a presidente. Na política é assim, não dá para acreditar em previsões”.

Edição EDIÇÃO 16959




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