BRASIL
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009, 21h:06
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VIOLÊNCIA
Suíça evita confirmar ataque a brasileira
A cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Clever, disse ainda que o hospital em que Paula foi internada está impedindo a entrada de diplomatas para visitas
JAMIL CHADE
Da Agência Estado Genebra
Em seu primeiro relatório sobre o caso da brasileira Paula Oliveira, a polícia da Suíça não confirmou que ela tenha sido agredida e apontou ainda que os ferimentos que a advogada apresenta são considerados 'incertos'. O documento não diz ainda que Paula teria sido agredida por um grupo neonazista, evitando falar em caráter xenófobo ou racista, e confirma que a polícia ainda procura por testemunhas do incidente. A cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Clever, disse ainda que o hospital em que Paula foi internada está impedindo a entrada de diplomatas para visitas. Mais cedo, a intergrante de uma comissão federal admitiu ao Estado que a população do país "não se importa com as vítimas de extremistas de direita" e alertou que, de fato, qualquer estrangeiro tem hoje "motivos para ter medo da violência dos grupos neonazistas". A brasileira Paula Oliveira sofreu um aborto e foi hospitalizada com ferimentos "superficiais de objetos cortantes" na pele e que, neles, "podiam ser reconhecidas em diversas partes do corpo letras isoladas", de acordo com detalhes do relatório. A advogada afirma sido atacada por três neonazistas que inscreveram, com um estilete a sigla SVP - iniciais em alemão do Partido do Povo Suíço, de extrema direita - na barriga e nas pernas. "Além disso, ela disse que estava grávida e que, após o ocorrido, teve um aborto dentro do banheiro próximo da estação." Segundo a BBC, a polícia afirma no comunicado que recebeu uma ligação às 19h30 de segunda-feira de um homem que pedia ajuda para a brasileira, que estava na estação de trem Stettbach. "As circuntâncias exatas do incidentes não estão claras. A polícia investiga em todas as direções. Pedimos a pessoas que estavam no local pouco depois das 19h30 e que tenham observado algo suspeito que entrem em contato com a polícia." "Abrimos uma investigação e precisamos de algum tempo para reunir provas", afirmou a porta-voz da polícia de Zurique Brigit Vogt. Entre a comunidade brasileira na Suíça, o caso está chamando a atenção. "Os ânimos estão acirrados", afirmou Irene Zwentsch, brasileira que trabalha para o Conselho Brasil-Suíça, uma entidade com sede no país alpino para ajudar a integração dos brasileiros. MAL-ESTAR A diretora da Comissão Federal Suíça contra o Racismo, Doris Ansgt, revelou que há de fato um mal-estar no país em relação à xenofobia. "O público em geral não se importa com as vítimas dos extremistas. Qualquer um que se pareça estrangeiro ou que tenha pele escura tem razão de ter medo da violência", afirmou Doris. "Racismo, antissemitismo, islamofobia são inerentes às ideologias de extrema direita", disse. Doris Angst ataca também o comportamento da polícia local no tratamento de casos de racismo. "A polícia suíça é parcialmente cega quando se trata de casos de extremistas e de neonazistas", afirmou. Para ela, o comportamento de jovens extremistas contra os estrangeiros é um "reflexo dos sentimentos que vive a sociedade suíça". Ao comentar o caso, o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Paulo Vannuchi, afirmou que não pode haver tolerância com os intolerantes e que o crime traz de volta "o horror do Holocausto". Certamente, a autoridade brasileira pressionará para que haja respeito da autoridade policial que tratou mal a brasileira. É preciso investigação rigorosa e punição exemplar. O crime foi gravíssimo, tem conotação neofacista e traz de volta a temática dos direitos humanos e o horror do Holocausto.