O engenheiro mecânico Paulo Roberto Dalmazzo, detido durante a 14ª fase da Operação Lava Jato, teve a prisão preventiva revogada e deixou a carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba por volta das 16h20 de ontem. Dalmazzo é ex-executivo da Andrade Gutierrez, um dos alvos da última etapa da operação que apontou um esquema bilionário de corrupção e desvio de dinheiro na Petrobras. A empresa, assim como a empresa Odebrecht, é suspeita desenvolver um mecanismo sofisticado para o pagamento de propina a diretores da estatal. Dalmazzo teve a prisão preventiva decretada, conforme o juiz Sérgio Moro, pelo bem da ordem pública. Ele apareceu nas investigações a partir de depoimentos de delação premiada de investigados. AVALIAÇÃO Apesar de não mais fazer parte dos quadros da Andrade Gutierrez quando foi preso, a Justiça avaliou que o engenheiro poderia voltar a cometer crimes semelhantes aos desvendados pela Polícia Federal porque Paulo Roberto Dalmazzo seria dirigente de outra empresa também prestadora de serviços à Petrobras. Ainda segundo Moro, essa empresa teria depositado R$ 1.941.944,24 em uma conta controlada pelo doleiro Alberto Youssef considerado um dos mentores do esquema. Mesmo com a revogação da prisão, Dalmazzo terá que cumprir algumas exigências. Tendo em vista, porém, [...] com provas, em cognição sumária, do envolvimento do investigado em crimes de cartel, ajuste de licitação, corrupção e de lavagem de dinheiro praticados com sofisticação e de grande magnitude, reputo necessário impor medidas cautelares alternativas para resguardar o processo, a ordem pública e o risco à aplicação da lei penal, diz trecho do despacho do juiz federal. O ex-executivo da Andrade Gutierrez não poderá deixar a residência por mais de 30 dias; não poderá mudar de endereço; deverá entregar o passaporte, sendo vedada a saída do país.