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BRASIL
Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011, 20h:44

DESASTRES NATURAIS

Sistema de prevenção começa a sair do papel

MARTA SALOMON, LISANDRA PARAGUASSU e TÂNIA MONTEIRO
Da Agência Estado – Brasília
Um conjunto de 500 áreas de risco de deslizamento de terra em encostas e mais 300 de risco de inundações será o primeiro alvo do sistema nacional de alerta e prevenção de desastres naturais do Brasil. Deslizamentos e inundações, como os que ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro, são responsáveis por dois entre três registros de desastres naturais do País. A meta anunciada ontem é de reduzir em 80% o número de vítimas em áreas cobertas pelo novo sistema até o final do governo Dilma Rousseff. No mesmo período de quatro anos, o número de vítimas total de desastres naturais no País seria reduzido em 50%, estima estudo apresentado à presidente. A expectativa é de que o sistema já ajude a reduzir efeitos dos desastres no próximo verão, insistiu o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia). Presente à reunião com Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, o novo secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre, explicou que, nas melhores condições, os alertas à população acontecerão seis horas antes do desmoronamento de encostas e aumento do nível de águas dos rios. "As previsões começam a se delinear três dias antes, mas a precisão é de horas, prazo suficiente para salvar vidas." Referência nos debates sobre efeitos das mudanças climáticas, Carlos Nobre defendeu a remoção de moradores de margens de rios sujeitos a inundações recorrentes e de favelas não urbanizadas em áreas de "declive suicida". ESTIMATIVA O governo federal trabalha com a estimativa de que haja 5 milhões de brasileiros em áreas de risco no País. Esse levantamento não foi confirmado ontem pelo centro universitário de estudos e pesquisas sobre desastres da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), contratado pelo Ministério da Integração para fazer um diagnóstico das áreas de risco no Brasil. "A Defesa Civil tem muito o que reestruturar. O sistema tem se revelado frágil, é uma realidade. Ninguém vai tapar o sol com a peneira. Temos que encarar a realidade e reagir", disse o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, ao sair da reunião com Dilma. TUPÃ O cérebro do sistema de alerta e prevenção de desastres será o supercomputador já instalado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), batizado de "Tupã", palavra em tupi-guarani para deus ou trovão. Um Centro Nacional para Desastres Naturais será criado para gerenciar as informações de cientistas e levá-las aos municípios, por meio de centros regionais. O primeiro desafio do sistema é combinar a captação de informações meteorológicas mais precisas e rápidas com o levantamento detalhado das áreas de risco do País. Documento entregue ontem à Dilma Rousseff sugere a participação das Forças Armadas "nesta tarefa hercúlea" de identificação e mapeamento das áreas de risco. Outro desafio é desenvolver o sistema de alerta à população, que precisará contar com a Defesa Civil dos municípios, inexistente na maioria deles. O secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, estima que apenas 426 dos 5.565 municípios brasileiros contam com defesa civil estruturada. O projeto do sistema de alerta e prevenção ainda não conta com orçamento autorizado. Aloizio Mercadante vai debater com a colega Miriam Belchior (Planejamento) a liberação de dinheiro para a compra de equipamentos, como as plataformas automáticas de coleta de dados ambientais, além de radares e pluviômetros. São previstos gastos de R$ 480 milhões.

Edição EDIÇÃO 16959




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