BRASIL
Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011, 20h:37
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VELHOS VÍCIOS
Sarney assume presidência do Senado
O parlamentar assume a presidência hoje, pela quarta vez, mantendo os velhos vícios, estrutura inchada, falta de controle de funcionários fantasmas
LEANDRO COLON e DENISE MADUEÑO
Da Agência Estado Brasília
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), apresentou ontem sua versão sobre o fracasso em não cumprir a promessa de aprovar uma reforma administrativa na Casa Em nota, ele alegou que o projeto, parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), tem recebido sugestões - cerca de 600, segundo o senador - e ainda vem sendo discutido pelos senadores numa subcomissão temporária. "Não me parece estar parada a matéria. Ao contrário, todo o trabalho realizado pela subcomissão demonstra a seriedade e a profundidade necessárias com que a matéria vem sendo tratada pela Casa", disse, em resposta à reportagem publicada pelo Estado mostrando que pouca coisa mudou no Senado depois do escândalo dos atos secretos. Pressionado e principal personagem da crise, Sarney autorizou a contratação e a recontratação Fundação Getúlio Vargas, em 2009 e 2010, para que um estudo de reestruturação fosse apresentado. A instituição recebeu R$ 500 mil pelo serviço. O projeto, porém, não agradou a servidores e senadores, recebeu centenas de emendas e empacou na CCJ. Em compensação, os servidores ganharam um novo plano de carreira, com reajustes, em média, de 25% nos salários. Hoje, Sarney incluiu esse aumento dos funcionários na chamada "reforma administrativa". Numa mesma frase, misturou os dois assuntos, mas acabou admitindo que o projeto principal não avançou. "Falta a votação pelo plenário e a implantação", disse. "Mas grande parte da reforma foi realizada, como essa parte da carreira dos funcionários, hoje perfeitamente organizada", disse Sarney assume a presidência hoje pela quarta vez, mantendo os velhos vícios, estrutura inchada, falta de controle de funcionários fantasmas, excesso de mão de obra terceirizada e de cargos de diretores, além de apadrinhados do senador e de colegas espalhados em gabinetes e secretarias. CÂMARA O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), fez um discurso de desabafo ontem na reunião da bancada do partido que o reconduziu ao cargo. No discurso ele deixou claro que vai continuar defendendo cargos no governo federal e que não aceita ver o partido taxado de "fisiológico". "Quem ouve e quem lê imprensa acha que o PMDB é quem manda nos cargos. Eu não vou mais aceitar. Ganhamos para governar com ética. Temos o direito de indicar nomes qualificados, porque seríamos cobrados na rua pela coparticipação", declarou. O parlamentar disse que dos 1.262 cargos do ministério da Saúde, só dois eram ligados ao PMDB. Argumentou, ainda, que Alberto Beltrame, protegido do PMDB, foi demitido injustamente da Secretaria de Atenção à Saúde. O secretário Beltrame foi demitido no início do mês pelo ministro Alexandre Padilha, do PT, provocando uma crise com Henrique Eduardo Alves. O líder do PMDB na Câmara lembrou que o ministro da Previdência e o do Turismo, que são do PMDB, mantiveram petistas nos cargos.