BRASIL
Sábado, 08 de Agosto de 2009, 12h:39
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POLÊMICA
Renan não se arrepende do bate-boca
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) responsabilizou os tucanos pelo bate-boca com Tasso Jereissati (PSDB-CE) na quinta-feira. Ele afirmou que não se arrependeu das palavras proferidas ao colega. Não me arrependo, não. Como me arrepender se ele provoca?, afirmou Renan Calheiros ao Estado. "Fica gritando, querendo botar as pessoas para fora do Senado. Fui provocado, reagi. Por mais que você esteja preparado para não responder, na hora é difícil." Questionado sobre se havia chamado o senador Jereissati de "coronel de merda", Renan disse que não queria falar sobre o assunto. "Já passou." Ele disse ser um conciliador por natureza. "É importante desaquecer e parar essas provocações, que acabam tendo reações. Essas pessoas que não têm hábito de conversar devem, pelo menos, aguardar um pouco as conversações. Mas naturalmente não estou me referindo a ninguém." Sobre a situação do presidente da casa, José Sarney, Renan comentou que estava ruim na semana passada. "Diziam que o presidente Sarney iria renunciar, que a família estava querendo que ele renunciasse. Está claro que ele não vai renunciar." Presidente endossa Renan e culpa oposição pelo tumulto Lula - Preocupado com o agravamento da crise no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou com assessores que o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), resumiu muito bem a percepção do governo sobre as ações de minoria com complexo de maioria. A frase de Renan foi dita durante bate-boca no plenário com Tasso Jereissatti (CE), na quinta-feira. Embora considere lamentável a troca de insultos entre os senadores, Lula avalia que os adversários adotam a tática da muvuca e agem como se tivessem mais votos. Renan é o chefe da tropa de choque montada para socorrer o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e também já foi apoiado por Lula, em 2007, quando acabou renunciando à presidência do Senado para escapar da cassação. O governo quer a permanência de Sarney, mas Lula tem seguido à risca a estratégia de não mais mexer nesse vespeiro em público, para evitar desgaste. Faz exatamente oito dias que o presidente não fala sobre a crise. Na tentativa de evitar que o terremoto político contamine o governo, ministros repetem como um mantra que a crise é do Senado. Na prática, porém, o Planalto está apreensivo com os efeitos colaterais da febre na Casa presidida por Sarney. É triste o que está acontecendo no Senado. A situação se complicou de novo e a temperatura está muito alta, afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.