BRASIL
Sexta-feira, 15 de Junho de 2007, 20h:06
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PROCESSO
Renan aceita adiamento da votação
CIDA FONTES e DENISE MADUEÑO
Da Agência Estado Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), aceitou o adiamento da votação do parecer do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) para a próxima terça-feira, temendo ser derrotado na estratégia de arquivar o processo contra ele ontem. O próprio Renan recomendou essa posição ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), um de seus principais defensores, apesar de não integrar o Conselho. A proposta de adiamento da votação partiu do PSDB e do DEM, com apoio de senadores do PT e PSB. Governistas aliados do presidente do Senado cederam às pressões da oposição e aceitaram adiar para terça a votação do parecer final sobre a acusação de que ele teria despesas pagas por um suposto lobista de uma construtora. PSDB, DEM, PSOL e PDT exigiram o adiamento da votação sob o argumento de que os documentos antigos e novos apresentados pelo senador deveriam ser periciados e as testemunhas, ouvidas. Os oposicionistas querem ouvir a ex-apresentadora de TV Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha, e Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, que teria pago, segundo reportagem da revista Veja, pensão alimentícia à jornalista. O relator do processo, senador Epitácio Cafeiteira (PTB-MA), já havia anunciado que pediria o arquivamento do processo que corre no Conselho de Ética do Senado. Se a denúncia representada pelo PSOL fosse acolhida, Renan teria de responder por processo de quebra de decoro parlamentar, que, no limite, poderia resultar na cassação do seu mandato. Ontem de manhã, Renan Calheiros se reuniu com os aliados da base governista e apresentou novos documentos à oposição. Na noite de quinta-feira, o Jornal Nacional da Rede Globo mostrou reportagem que colocou em xeque os documentos apresentados por Renan ao Conselho. Eles comprovariam a origem dos recursos que o senador teria utilizado para pagar ele próprio a pensão da jornalista. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu tempo para que os novos documentos fossem analisados e afirmou que o Senado não pode votar o processo "às cegas". "Uma simples reportagem de uma emissora de TV derrubou todas as argumentações do relator", afirmou. O clima no Senado ontem relembrava o ambiente da época do escândalo do mensalão, em 2005. Dezenas de repórteres brigando para conseguir declarações de Renan, assessores nervosos e muita tensão no ar. Renan Calheiros deu uma rápida entrevista em meio ao tumulto e fez críticas ao jornalismo brasileiro, dizendo que não lhe cabia analisar a pauta do Conselho de Ética "nem a ética do jornalismo".