BRUNO TAVARES e MARCELO GODOY
Da Agência Estado - São Paulo
O promotor Francisco Cembranelli chegou sorridente à primeira entrevista após o resultado do júri do casal Nardoni. Cercado por câmeras de televisão e ovacionado por centenas de pessoas que se amontoavam diante do Fórum de Santana, na madrugada de ontem, ele comemorou a condenação dos réus. "A confiança era total, e o resultado mostrou que eu estava certo." CLIMA O clima na porta do Fórum mais lembrava uma final de Copa do Mundo. Durante a leitura da sentença, fogos de artifício puderam ser ouvidos de dentro do plenário do 2.º Tribunal do Júri. Enquanto alguns pediam justiça, outros gritavam palavras de ordem. Até o Tema da Vitória, que embalava as conquistas de Ayrton Senna, foi ouvido no momento em que Cembranelli falava aos jornalistas. O mais antigo promotor da capital em atividade no Tribunal do Júri - são 22 anos - se disse revigorado, após o exaustivo julgamento de cinco dias. "(A manifestação popular) Serve de incentivo", assinalou. "Serei eternamente grato às pessoas. Não me sentiria bem fora do júri, é aqui que me sinto útil para a sociedade e todo esse incentivo só me anima a continuar." DIFICULDADES Cembranelli reconheceu as dificuldades de atuar em um caso em que não havia testemunhas. E aproveitou para enaltecer o trabalho da Polícia Científica. "Procurei ressaltar o trabalho desses profissionais que tanto se dedicaram para o esclarecimento desse crime." Mesmo sabendo que a defesa recorreu da decisão, o promotor disse não acreditar que a sentença dada pelo juiz Maurício Fossen seja modificada. Pouco antes da entrevista de Cembranelli, uma das viaturas que transportavam o casal Nardoni de volta para a prisão quase foi tombada por um grupo de manifestantes que bloqueava a Avenida Engenheiro Caetano Álvares.