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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 24 de Março de 2012, 14h:18

ESTAÇÃO PARADA

Prejuízo estimado é de R$ 9 mi em equipamentos

O valor foi calculado por cientistas que trabalhavam na base brasileira

O incêndio que atingiu a Estação Antártica Comandante Ferraz há um mês, destruindo o módulo principal da base, causou um prejuízo estimado em R$ 9 milhões em equipamentos. A estimativa é do diretor do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jefferson Simões, veterano do Programa Antártico Brasileiro. “Todos os laboratórios científicos que estavam dentro da estação foram afetados. A área de biologia foi a mais afetada, já que os laboratórios queimaram completamente. Na próxima semana, devemos finalizar a lista de equipamentos perdidos [durante o incêndio]”, disse Simões. O pesquisador disse esperar que a comunidade científica seja convidada a participar do planejamento da nova Estação Antártica, que deverá começar a ser construída no final de 2013, para substituir a base destruída, como prometeu o governo federal. “A demanda já feita ao Ministério da Ciência e Tecnologia [e Inovação] é que a estação siga o que há de mais moderno no mercado internacional para estações polares. E que ela seja planejada, tendo como ponto de partida suas metas científicas”, disse. O módulo meteorológico da Estação Antártica Comandante Ferraz pode ter continuado a coletar e armazenar dados de pesquisa, mesmo depois do incêndio que atingiu a base há um mês. O módulo, que fica afastado da parte principal da base, destruída pelo incêndio, funciona por meio de baterias e pode ter recolhido informações referentes à temperatura, direção e intensidade do vento, umidade relativa do ar e pressão atmosférica. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a estação meteorológica, chamada de Meteoro, tem baterias com carga suficiente para manter o funcionamento dos equipamentos por um mês. O módulo funciona automaticamente sem a necessidade de pesquisadores no local. Missões do Inpe viajavam regularmente à estação apenas para fazer a manutenção da unidade. A estação, que também transmitia os dados em tempo real à sede do Inpe, no Brasil, parou de transmitir informações às 2h do dia 25 de fevereiro, justamente no momento em que o incêndio atingia a casa de máquinas principal da Comandante Ferraz. Por isso, não há como ter certeza se a coleta e o armazenamento de dados foram mantidos. Uma equipe de quatro técnicos do Inpe está neste momento na Ilha Rei George, verificando a situação dos equipamentos e instalando painéis solares e novas baterias no módulo Meteoro. A ideia é que as novas fontes de energia continuem alimentando do módulo, a fim de manter a coleta, o armazenamento e até a transmissão dos dados. Os painéis devem ser instalados até o final da próxima semana. Ainda que o Inpe não consiga retomar a transmissão remota dos dados, a prioridade é garantir que os dados continuem a ser coletados e armazenados até que o núcleo da Estação Antártica seja reconstruído. O objetivo é manter a série histórica dos dados, iniciada no verão de 1984/1985. Segundo o diretor do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jefferson Simões, módulos de outros tipos de pesquisa, que tampouco foram afetados pelo incêndio, também podem ter mantido a coleta e o armazenamento durante algum tempo. “Tem vários módulos que continuaram coletando dados. O problema é que eles tinham bateria para uma semana, 15 dias, um mês. Então, aos pouquinhos, eles vão parando”, disse Simões.

Edição EDIÇÃO 16965




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