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BRASIL
Segunda-feira, 12 de Março de 2001, 22h:11

MENORES/REBELIÃO

Plano de resgate gerou a rebelião na Febem

O resgate frustrado teria sido planejado por trio de adolescentes

Um grupo de três adolescentes executou o plano de resgate que antecedeu a rebelião de anteontem na Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor) de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. A mentora da ação, segundo a polícia, é uma mulher de 26 anos, grávida de oito meses, que vivia com um garoto da unidade e que não tinha antecedente criminal. Ao contrário da organização que se tem visto em resgates de adultos nas delegacias do Estado, a operação na Febem foi um desastre: o grupo errou até a unidade em que os dois internos a serem resgatados estavam. Rita Carneiro da Silva, 26, vivia com o adolescente C.L., 17, antes de ele ser detido pela polícia e internado na Febem por ter participado do assalto ao apartamento da apresentadora de TV, Adriane Galisteu, em outubro de 99, na zona sudoeste da capital paulista. O que mais chamou a atenção da polícia, além do perfil da suposta líder, é a faixa de idade dos quatro rapazes que participaram do resgate: Robson Moisés Santos da Silva, 18, E.F.C., 17, C.V.S., 17, e Martinho Vilaroto Bento, 24. A rebelião que sucedeu o resgate terminou com a morte de um agente de segurança, baleado na invasão, e com 33 feridos -21 funcionários e 12 adolescentes. A unidade tinha no domingo 328 internos considerados de "alta” periculosidade. Apesar disso, não havia um único policial ou funcionário da Febem armado no momento do resgate. Três agentes de segurança, que estavam desarmados, foram baleados. Um deles, Renato Feitosa de Araújo, 27, morreu e foi enterrado ontem. Em vez de pistolas e fuzis, armamentos vistos em ações de grande porte como essas, os adolescentes usaram três revólveres, comprados por R$ 200 cada, em um ponto de tráfico de drogas na região do Butantã (zona sudoeste de SP). Plano – Ontem de manhã, a polícia prendeu Rita e Bento, o homem mais velho do grupo, na favela São Remo, região do Butantã, da divisa da capital com Osasco. Um dia antes de atacarem a Febem, eles roubaram um veículo Vectra na zona sul de São Paulo. Anteontem de manhã, os cinco viajaram de São Paulo para Franco da Rocha, em dois carros, para completar o plano de resgate. "Só que entraram na unidade 30 (onde houve a rebelião) em vez da 31, onde estavam os dois internos que eles queriam resgatar”, disse Neurides Feitosa Ferreira, 41, chefe dos investigadores da Polícia Civil de Franco da Rocha. Segundo ele, Rita ficou do lado de fora da Febem, aguardando dentro de um Monza. Misturados com as visitas, três deles -Silva e dois menores de 17 anos- chegaram ao setor onde a revista é feita, já dentro da unidade e sacaram as armas. No meio da confusão e dos disparos, apenas Silva conseguiu fugir, roubando um veículo da Febem. Com ele, foram quatro internos, mas não os que deveriam ter sido resgatados. A polícia chegou e os menores E.F.C. e C.V.S., que estavam dentro dos pavilhões, não conseguiram fugir. Eles foram detidos após o fim da rebelião. Rita e Bento foram indiciados por homicídio, facilitação de fuga e formação de quadrilha. Ontem, a Febem retificou o número de fugitivos que havia divulgado. Apenas os quatro já recapturados conseguiram sair em meio à confusão. A unidade de Franco da Rocha onde houve a rebelião abriga menores perigosos como E.P., 17, conhecido como Batoré, apontado como autor de 15 homicídios e que escapou sete vezes da Febem. Da última vez, ele foi resgatado quando era transportado em um carro da fundação. O incidente acabou com a saída do então presidente da fundação. De acordo com a assessoria da Febem, ele foi um dos líderes da rebelião de anteontem. No total, 12 internos com mais de 18 anos foram identificados como líderes do motim e autuados em flagrante por homicídio, lesões corporais e formação de quadrilha, segundo a polícia.

Edição EDIÇÃO 16959




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