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BRASIL
Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011, 07h:16

CORREIOS

Ministro manda descontar os dias parados

Um grupo de trabalhadores dos Correios fez um enterro simbólico para protestar contra a falta de negociação com o governo sobre o reajuste salarial da categoria

ELAINE PATRICIA CRUZ e SABRINA CRAIDE
Da Agência Brasil - Santana de Parnaíba (SP)
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, determinou ontem ao presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, “que os dias parados sejam descontados rigorosamente” do salário dos grevistas. “Greve é um direito, mas ninguém vai receber sem trabalhar”, disse o ministro. Segundo Paulo Bernardo, entre 23% e 25% dos trabalhadores dos Correios estão parados. “Estamos negociando. Mas estamos também mostrando para eles que não temos condição de dar o reajuste no nível que eles pedem. Tem casos em que estão pedindo 100% de reajuste. Queremos mostrar as possibilidades que temos. Estamos oferecendo aumento real, acima da inflação”. O ministro comentou o fato dos Correios ter o monopólio do serviço no país assegurado pela Constituição, e disse que isso não caracteriza um problema, mas “dá uma responsabilidade grande” à empresa. “Se só eu posso entregar a carta, não posso pegá-la e ficar com ela na gaveta ou no malote. Tenho que dar um jeito de entregá-la”, disse Paulo Bernardo, lembrando que os Correios fizeram mutirões no último final de semana para que parte das correspondências em atraso pudessem ser entregues a seus destinatários. MANIFESTAÇÃO Um grupo de trabalhadores dos Correios fará um enterro simbólico, na tarde de ontem, para protestar contra a falta de negociação com o governo sobre o reajuste salarial da categoria. Em greve desde a última quarta-feira, eles estão reunidos em frente ao Ministério das Comunicações. Além de um carro de som, os funcionários da estatal levaram para a manifestação um caixão com flores e as fotos do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e do presidente dos Correios, Wagner Pinheiro. “Já que eles não querem conversar com a gente, vamos enterrá-los. Só vamos desenterrá-los quando abrirem as negociações”, disse o diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect), José Gonçalves de Almeida. Segundo ele, os trabalhadores estão reunidos em assembleias em vários estados para debater os rumos das negociações. De acordo com os Correios, anteontem, a adesão dos trabalhadores à paralisação caiu para 23% — até a última sexta-feira, estava em torno de 30%. Com isso, agora a empresa tem 77% do efetivo trabalhando. Já a Fentect estima que 70% dos 109 mil empregados da estatal estejam parados. Segundo a empresa, com a queda na adesão e o mutirão feito no final de semana para entrega de objetos postais, os Correios conseguiram aumentar a porcentagem de carga que esta sendo entregue em dia, que passou de 60% para 65%. Anteontem, o ministro Paulo Bernardo disse que quem aderir à paralisação terá o ponto cortado.

Edição EDIÇÃO 16965




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