BRASIL
Segunda-feira, 23 de Março de 2009, 20h:58
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Lula rebate: Bolsa-Família não é esmola
O presidente admitiu sua preocupação com a redução de repasses aos municípios e prometeu ajudar as prefeituras a terem "um mínimo de capacidade de investimento"
ANGELA LACERDA
Da Agência Estado - Vitória de Santo Antão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se referiu ontem duas vezes às críticas feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que chamou de "esmola" o programa Bolsa-Família, na sua visita a Pernambuco, a terceira do ano. Em uma entrevista à Rádio Jornal, logo ao desembarcar, ele disse não entender a razão pela qual o senador, com quem tinha uma boa relação, "agrediu tanto" o governo e o programa. Voltou a falar do assunto, em discurso no município metropolitano de Vitória de Santo Antão, ao inaugurar uma unidade da Sadia, desta vez sem citar o nome do senador. Segundo o presidente, se para um cidadão que pode dar uma gorjeta de R$ 100,00 em um hotel cinco estrelas isso não é nada, "uma mãe de família com esse dinheiro na mão faz a multiplicação dos pães". "É isso que parte da elite brasileira não enxerga", disse, ao lembrar que há anos não se ouve falar das frentes de trabalho que eram criadas nos períodos de seca no semiárido, com os trabalhadores ganhando R$ 30,00 por mês para bater uma enxada sem nada produzir. "Isso acabou". Indagado programa de rádio sobre as especulações de um confronto entre o governador Eduardo Campos (PSB) e o senador e ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) pelo governo de Pernambuco, em 2010, Lula disse ter "cara e lado" em Pernambuco. Apoia Campos, com quem tem uma aliança estratégica nacional, e acredita na conquista do seu segundo mandato à frente do governo estadual. Quanto ao confronto, disse ser ainda cedo para se saber quem será o adversário do socialista. MUNICÍPIOS O presidente admitiu sua preocupação com a redução de repasses aos municípios e prometeu ajudar as prefeituras a terem "um mínimo de capacidade de investimento" ao se referir à queda do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). "Isto é um problema", afirmou em discurso no município metropolitano de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, durante a inauguração de uma fábrica da Sadia. "Se a prefeitura não estiver bem, o povo não estará bem". Lula reconheceu que "os prefeitos estão agoniados porque está diminuindo o FPM", mas garantiu estar atento para a questão. De forma didática, afirmou para a plateia que "se cai a receita do governo federal, cai a receita do governo estadual e cai a receita do município". O presidente não explicou de que maneira pretende agir para promover esse "mínimo de capacidade de investimento" dos municípios. Limitou-se a dizer que se cada prefeitura tiver capacidade financeira de investimento, "vai facilitar a vida do governador, que vai chorar menos para o presidente, o que também vai facilitar a vida do presidente e vai sobrar dinheiro para a gente fazer as coisas".